A corrupção está a dominar o debate político em Espanha, depois de outubro ter sido o mês com mais arguidos (141), num momento em que decorrem no país mais de 1.700 investigações judiciais envolvendo 500 dirigentes políticos.


Os casos de corrupção são tantos, de tal dimensão e sucedem-se tão rapidamente que a procuradoria anti-corrupção já solicitou mais meios, com o número de denúncias a duplicarem desde 2012, segundo vários indicadores consultados pela agência Lusa.


Casos de corrupção têm vindo a ser descobertos particularmente nos últimos quatro anos, tocando as principais forças políticas do país e forçando a dezenas de demissões em cargos na administração central, regional e local.


Em outubro, o número de casos e a sua dimensão atingiu um nível sem precedentes co uma média de cinco arguidos por dia, envolvendo políticos, sindicalistas e empresários nos três níveis da administração.


Um mês em que estalaram o caso dos cartões de crédito opacos, da Caja Madrid, a operação Púnica - com 50 detidos, incluindo seis presidentes de câmara (alcaides) e um ex-dirigentes do PP em Madrid - a detenção de Oleguer Pujol, filho do ex-presidente catalão, Jordi Pujol e a constituição de arguido do ex-responsável do PP Angel Acebes.


A dimensão do problema foi destacada, já este ano - e antes destes novos casos - pelo procurador-geral, Eduardo Torres Dulce, que considera faltarem meios legais, materiais e humanos para combater a corrupção.


Legislação insuficiente, ações lentas, problemas com as prescrições, indultos a corruptos, leveza das penas e ausência de medidas para recuperar dinheiro roubado são algumas das queixas ao sistema.


Estas são opiniões ecoadas pela opinião pública, com as sondagens a apontarem que a corrupção é hoje o segundo maior problema do país, depois do desemprego.


Uma lista interminável de casos, para os quais os 110 procuradores anticorrupção não chegam, com cada vez mais denúncias (434 em 2013), mais diligências prévias - para verificar a informação - e uma maior dimensão dos casos.


A maior fatia das investigações atualmente em curso - 540 de 1.700 - concentram-se na região da Andaluzia, sendo que há 17 que têm cariz nacional e 302 que são considerados megaprocessos.


Globalmente, há já mais de 1.900 arguidos em processos de corrupção, tendo, só na última legislatura, sido condenadas 170 pessoas, ainda que a maioria não esteja em prisão, ou porque não teve este tipo de pena ou porque ainda estão em processo de recurso.


Além de políticos que ocuparam cargos em todos os níveis da administração pública, há empresários, advogados e sindicalistas, que entre si contam com delitos de corrupção (principalmente urbanística), fraude fiscal, contratação irregular de pessoal, branqueamento de capitais, fraude e burla, entre outros.


Entre os arguidos estão nomes sonantes, como Miguel Blesa (ex-presidente Caja Madrdi), os empresários Juan Miguel Villa Mir e Luis del Rivero, o ex-presidente da patronal CEOE, Gerardo Diaz Ferran, e o ex-presidente do FC Barceona, Josep Lluis Núnez.


Destaca ainda para o ex-vice-presidente do Governo (e ex-presidente do FMI) Rodrigo Rato, o ex-vicepresidente do Governo Narcis Serra, os ex-ministros Magdalena Alvarez (PSOE) e Angel Acebes (PP), a infanta Cristina e o seu marido, Iñaki Urdangrin, a ex-senadora Elena Diego, o delegado do Governo em Murcia, Joaquin Bascuñana, ex-alcaides e vários alcaides e o ex-tesoureiro do PP.