Desde sempre ouvimos que ter hábitos sedentários e pouco ativos prejudicam a nossa saúde. Um novo estudo veio mostrar que fazer demasiado exercício pode ser tão prejudicial como não fazer exercício algum. E a pergunta que se coloca é «mas quanto exercício será suficiente?»

Investigadores da Dinamarca afirmam que as pessoas que forçam demasiado o corpo acabam por desfazer os benefícios da prática de exercício. Os dados foram publicados no «Journal of the American College of Cardiology». O estudo que decorreu ao longo de 12 anos mostra que o risco de morte daqueles que correm num ritmo rápido mais de 4 horas durante 3 dias por semana é o mesmo daqueles que não fazem exercício ou fazem muito pouco.

Os dados mantêm-se mesmo quando os investigadores têm em conta se os participantes são fumadores ou bebem álcool, assim como a idade, sexo ou diabetes.

De facto, aqueles com menor risco de morrer durante o período do estudo são as pessoas que correm menos de três vezes por semana durante um período entre uma e duas horas e quarenta minutos, numa velocidade moderada.

Mesmo as pessoas que correm um pouco mais, entre duas horas e cinquenta minutos e as quatro horas a um ritmo moderado durante 3 vezes por semana, mostram um risco de mortalidade superior até 66%.

«Eu esperava que as pessoas que correm pouco tivessem um menor risco», afirma o pesquisador e co-autor do estudo de «Frederiksberg Hospital», Jacob Marott . «Mas fiquei surpreendido que os corredores moderados, não tivessem um grande benefício sobre os que correm menos. Isto fez-me pensar que se esta é a verdadeira realidade, os que aconselham sobre a prática de exercício devem ter isso em conta»


O que Marott e a equipa descobriu foi que os corredores mais intensos têm o mesmo risco que aqueles que optam por ficar no sofá. De acordo com os resultados, os níveis saudáveis que permitem manter a saúde do coração, queimar as calorias em excesso e controlar os níveis de açúcar no sangue estão mais próximos daqueles que fazem pouco. 

Os efeitos negativos incluem mudanças na estrutura e funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. Estudos anteriores mostram que os maratonistas e ciclistas de longa distância, por exemplo, tendem a aumentar o risco de desenvolver ritmos anormais de batimento cardíaco, o que pode tornar menos eficiente o bombardeamento do sangue e o fornecimento de oxigénio.

O estudo refere que os chamados micro exercícios - exercícios de alta intensidade realizados por breves períodos, normalmente de 1 minuto - são mais benéficos para o corpo que os contínuos e intensos exercícios. O que significa que algum exercício é melhor que nenhum exercício e que nem sempre mais exercício é melhor exercício.  

Marott reconhece que é possível que alguns comportamentos ou fatores comuns dos grandes corredores, tais como a exposição solar que pode aumentar o risco de cancro de pele, pode explicar o elevado risco de morte durante o estudo. 

«Se queres fazer algo de bom para ti próprio, não precisas de ser radical. Exercita-te durante uma a quatro horas por semana não mais que três dias por semana numa velocidade moderada, que isso é realmente viável», aconselha Marott, que defende um novo estudo que tome em conta todos os fatores externos.