Cornelius Gurlitt, o homem que guardou durante décadas num apartamento em Munique mais de mil obras de arte, muitas delas que se acredita terem sido confiscadas pelos nazis, doou a sua coleção a um museu na Suíça.

Gurlitt morreu na terça-feira, aos 81 anos, e a imprensa alemã já tinha noticiado que tinha feito um testamento, pouco antes de falecer, destinando a sua coleção a um museu fora da Alemanha. Agora, responsáveis do Museu de Arte de Berna vieram comunicar que foram informados pelo advogado de Gurlitt de que o Kunstmuseum era o «único herdeiro» das obras de arte. Apesar de nunca ter existido, garantem, «qualquer relação» com Gurlitt.

«A administração do Kunstmuseum está surpreendida e encantada, mas ao mesmo tempo não quer esconder o facto de que esta magnífica dádiva traz consigo um fardo considerável de responsabilidade e uma série de questões das mais difíceis e delicadas. Nomeadamente questões de natureza ética e legal», diz o comunicado, explicando que o museu, que é uma fundação privada, não pode tomar uma posição mais clara antes de «consultar a documentação relevante e falar com as autoridades».

Cornelius Gurlitt era filho do negociante de arte de Adolf Hitler, Hildebrand Gurlitt, que geriu o destino de milhares de obras de arte confiscadas a judeus ou consideradas «degeneradas».

As autoridades alemãs perseguiram durante décadas a pista das obras de arte perdidas e em 2011 encontraram-nas finalmente no apartamento de Gurlitt. A coleção tem obras de pintores como Picasso, Matisse, Klee ou Chagall e o seu valor é incalculável.

Após negociações, Gurlitt acedeu em colocar as obras ao cuidado das autoridades alemãs, para que fossem feitas análises que apurassem quais as que tinham sido roubadas pelos nazis, para serem devolvidas. Segundo o acordo, as outras continuariam na posse de Gurlitt. A coleção que ele doou ao museu de Berna será a que resultar dessa seleção.