O papa Francisco instou hoje as divididas Coreias a unirem-se «numa só família, num só povo», num espírito de mútuo perdão durante a missa que celebrou hoje, em Seul, o último dia da sua histórica visita à Coreia do Sul.

«O perdão é a porta que conduz à reconciliação», embora possa parecer «impossível, impraticável e, às vezes, até mesmo repugnante», disse Francisco, durante a homilia dedicada especialmente à paz e a reconciliação na península coreana.

Recordando que os coreanos sofrem «uma experiência de divisão e conflito que dura há mais de 60 anos», o pontífice sublinhou que «todos os coreanos são irmãos e irmãs, membros de uma só família, de um só povo» e instou à oração.

Papa reúne-se com 12 líderes religiosos

O papa Francisco também se reuniu hoje em Seul com 12 líderes de diferentes religiões no último dia da sua visita de cinco dias à Coreia do Sul, a qual terminará com uma missa pela paz e reconciliação na catedral da capital, Seul.

O pontífice esteve reunido numa sala da catedral de Myeongdong com os líderes das principais ordens do budismo - que conta com o maior número de fiéis no país - e das restantes religiões com importante presença, como protestantes, ortodoxos e confucionistas.

«A vida é um longo caminho, mas não se pode caminhar sozinho», disse Francisco, num breve discurso dirigido aos seus interlocutores, aos quais agradeceu o «gesto de caminharem juntos como irmãos na presença de Deus» e pediu que rezem por ele.

Coreia do Sul e EUA testam sistemas de defesa em manobras militares conjuntas

Apesar da presença do Papa e dos apelos que este deixou a Coreia do Sul e os Estados Unidos iniciaram hoje exercícios militares conjuntos anuais para testar os seus sistemas de defesa contra a Coreia do Norte, contestados já por Pyongyang que ameaçou realizar um «ataque preventivo».

O exercício conjunto «Ulchi Freedom Guardian» (UFG) prolongar-se-á durante 12 dias e conta com a participação de cerca de 50 mil soldados sul-coreanos e outros 30 mil norte-americanos procedentes das bases na Coreia do Sul ou destacados a partir dos Estados Unidos, informaram as Forças Armadas de Seul.

Os dois países vão testar, pela primeira vez, «o seu plano de dissuasão contra as ameaças nucleares e as armas de destruição massiva de Pyongyang», além de outros sistemas de defesa, assinalaram fontes militares sul-coreanas à agência local Yonhap.