O capitão do ferry sul-coreano que naufragou com centenas de pessoas a bordo foi condenado esta terça-feira por negligência e sentenciado a uma pena de prisão de 36 anos.

O barco, que naufragou em abril, levava 476 pessoas a bordo e mais de 300 perderam a vida – na sua maioria estudantes – muito por «culpa» do capitão, que abandonou o barco (facto pelo qual pediu desculpas às famílias durante o julgamento). Este foi o ponto de vista defendido pelo Ministério Público, que pedia uma pena muito mais pesada para o capitão e a tripulação, pelo que já veio anunciar que vai recorrer da sentença.

O procurador, nas alegações finais do julgamento, tinha pedido a condenação de Lee Joon-seok por homicídio e uma pena de prisão prepétua para o homem. O tribunal não acolheu o pedido da acusação, mas, na prática, o capitão está condenado a passar o resto da sua vida na prisão, já que tem quase 70 anos.

O tribunal considerou que não ficou provado que Lee Joon-seok fosse o grande responsável pela tragédia e preferiram condená-lo por negligência por entenderem que não havia a intenção de matar.

Na verdade, o engenheiro de máquinas do navio foi condenado por homicídio a 30 anos de prisão e outros 15 membros da tripulação também condenados a mais de 20 anos de cadeia, segundo noticia a BBC.

As famílias não concordaram com o veredicto.

Precisamente esta terça-feira, o Governo da Coreia do Sul anunciou que pôs fim às operações de busca dos nove desaparecidos do naufrágio do navio Sewol, que provocou a morte de 304 pessoas.

A decisão foi conhecida após uma reunião do Governo presidida pelo primeiro-ministro sul-coreano, Chung Hong-won, informou a agência Yonhap.

As operações de busca, que envolveram milhares de mergulhadores e que custaram a vida a dois deles, começaram imediatamente após o incidente ocorrido a 16 de abril, tendo as equipas resgatado com vida 172 pessoas entre as 476 que seguiam a bordo do Sewol.