“Pai, sou eu, o seu filho”.

 
Chae Hee-yang, de 65 anos, reencontrou o pai, Chae Hoon-sik, de 88 anos. Os dois não se viam desde que filho tinha um ano. Pai e filho foram separados, tal como as duas Coreias ficaram divididas no fim da guerra que decorreu entre 1950 e 1953.
 
A guerra acabou, como uma faca cortou-se um território, uma fatia para cada lado, deixando muitos corações partidos. Filhos que cresceram sem pais, viúvas de maridos vivos. Os anos passaram-se, não passou a saudade. No entanto, apesar de continuarem de costas voltadas ao fim de 60 anos, as duas Coreias, Norte e Sul, acordaram, há cerca de um ano, permitir a reunião das famílias.
 
A agência noticiosa Yonhap – aqui citada pela Reuters-, da Coreia do Sul, foi a única autorizada pelo regime de Kim Jong-un a fazer a cobertura da viagem emotiva de 400 sul-coreanos em direção ao norte.

A idade avançada de muitos não os impediu de participar nesta aventura. De cadeira de rodas, apoiados em bengalas, presos a fotografias antigas e agarrados à esperança de que os seus familiares estejam vivos.

Na segunda-feira receberam um “guia” de recomendações sobre o que podem e não podem fazer, ou sobre o que podem ou não podem falar. Este foi o maior grupo, até ao momento, a poder viajar para a Coreia do Norte.

Debaixo de apertadas medidas de segurança, as famílias reencontraram-se, finalmente, esta terça-feira, numa estância norte-coreana. A visita termina na quinta-feira. Tão pouco tempo para tantas emoções. Tanto para dizer, mas sem palavras para descrever o que sentem. Kim Ki-joo viu o irmão pela última vez quando tinha onze anos. Passaram-se 65.

“Não consigo pensar naquilo que lhe vou dizer”.