Foi um "presente" para os Estados Unidos, que Washington classificou como "uma nova ameaça para a paz do mundo”. Pela primeira vez, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês), que os especialistas acreditam que podia atingir o estado norte-americano do Alasca. A comunidade internacional está em alerta e o tema deverá marcar a próxima reunião do G20.

A Coreia do Norte voltou a desafiar o mundo ocidental, testando, pela primeira vez, um míssil intercontinental. O míssil norte-coreano Hwasong-14 foi lançado esta terça-feira, 4 de julho. A data, o Dia da Independência dos Estados Unidos, foi a cereja no topo de um bolo que a Coreia do Norte há muito preparava. Um “presente” para os norte-americanos, como anunciou a agência estatal da Coreia do Norte, a KCNA.

O projétil atingiu uma altitude de 2.802 quilómetros, tendo percorrido 933 quilómetros em 39 minutos antes de cair no Mar do Japão. Mais, de acordo com a KCNA, o míssil tinha capacidade para transportar uma ogiva nuclear.

"Os bastardos norte-americanos não vão ficar muito contentes com este presente no aniversário do 4 de Julho", terá dito Kim Jong-un, citado pela KCNA.

Mas será mesmo assim? Que ameaça real existe depois deste teste?

Nos últimos meses, a Coreia do Norte tem aumentado os testes com mísseis balísticos, com o objetivo de construir aparelhos nucleares que possam alcançar território norte-americano.

Mas com o projétil Hwasong-14, o regime liderado por Kim Jong-un elevou o patamar das suas demonstrações de força, provando que tem capacidade para atingir distâncias intercontinentais. E os especialistas acreditam que um engenho como este pode chegar ao estado norte-americano do Alasca.

Logo depois deste teste, o físico norte-americano David Wright, da organização não-governamental Union of Concerned Scientists, escreveu que um míssil como este teria um “alcance máximo de 6.700 quilómetros”, podendo, assim, atingir o Alasca.

Já quanto à possibilidade de lançamento de uma ogiva nuclear, os especialistas têm muitas dúvidas. É que não há provas de que Pyongyang tenha a tecnologia necessária para este efeito, que compreende três passos fundamentais: impedir a explosão do míssil aquando da sua reentrada na atmosfera, conseguir, com sucesso, a separação da ogiva do aparelho e conseguir guiar o engenho explosivo até um alvo específico.  

Estados Unidos estão a perder a paciência

O certo é que o lançamento do Hwasong-14 deixou a comunidade internacional em alerta. Washington dá sinais de que não vai tolerar as provocações do regime norte-coreano por muito mais tempo e conta com o apoio da Coreia do Sul.

Depois de Donald Trump ter reagido ao lançamento com uma mensagem irónica no Twitter - "Será que este homem não tem nada melhor para fazer na vida?" -, o secretário de Estado da Defesa norte-americano, Rex Tillerson, veio dar uma reposta firme à mais recente provocação do regime norte-americano.

Tillerson falou numa escalada da “ameaça” sobre os Estados Unidos e os seus aliados e apelou a uma reação dura da comunidade internacional.

É preciso uma ação global para pôr fim a uma ameaça global”, vincou o responsável a Defesa norte-americana, em comunicado.

De resto, e apenas algumas horas depois do lançamento, o governo norte-americano pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para debater o assunto.

As tensões na península coreana intensificaram-se a apenas alguns dias da reunião do G20 e o tema deverá estar em cima da mesa do encontro, que acontece entre sexta-feira e sábado em Hamburgo.