Poderia chegar para não ganhar para o susto, caso não fosse minimamente simpática a distância a que passou do avião o Hwasong-15, que se pensa ser o mais poderoso míssil já disparado pela Coreia do Norte. A tripulação de um voo da companhia Cathay Pacific, que ligava a cidade norte-americana de São Francisco à chinesa de Hong Kong revelou agora ter visto o projétil norte-coreano a reentrar na atmosfera, antes de cair nas águas do mar do Japão.

O novo míssil norte-coreano foi disparado na passada quarta-feira, 29 de novembro. Analistas militares têm admitido tratar-se do mais potente alguma vez criado e testado pelo regime do presidente Kim Jong-un. Nesse mesmo dia, a tripulação do voo 893 da Cathay Pacific terá observado a nova e poderosa arma do regime norte-coreano a cair.

Embora o voo estivesse longe do local, a tripulação notificou os serviços de controlo de tráfego aéreo do Japão, seguindo os procedimentos. A operação permaneceu normal e não foi afetada", refere a companhia num comunicado divulgado esta segunda-feira.

A Cathay Pacific, uma companhia comercial criada por um norte-americano e por um australiano, adiantou ainda não tencionar alterar as suas rotas, por causa dos cada vez mais frequentes testes de lançamento de mísseis, levados a cabo pela Coreia do Norte.

Permanecemos alerta e analisaremos a situação à medida que ela for evoluindo", refere o comunicado da companhia, citado pela página da cadeia de comunicação norte-americana, CNN.

A dúvida subsiste se o avião comercial da Cathay Pacific registou algum vídeo da trajetória do míssil, através da câmara que tem instalada sob a fuselagem, sendo que a companhia, até ao momento, diz não ter imagens do Hwasong-15.

Avião francês escapou por minutos

O novo míssil disparado pela Coreia do Norte voltou a pôr em sentido muitos peritos e militares, com o secretário norte-americano da Defesa, James Mattis, a considerar que Kim Jong-un tem capacidade para alvejar "qualquer local no mundo".

O Hwasong-15 voou 4,475 quilómetros, durante 53 minutos, até cair e afundar nas águas costeiras japonesas, segundo informação divulgada pela Coreia do Norte.

Além da ameaça à segurança, seriamente encarada por militares e líderes mundiais, os cada vez mais frequentes ensaios balísticos norte-coreanos surgem também como um problema para a aviação comercial. Até porque, segundo afiançam os vizinhos da Coreia do Sul, Pyongyang não costuma lembrar-se de avisar as autoridades internacionais de controlo aéreo sobre os lançamentos de mísseis que leva a cabo.

Antes do avistamento do Hwasong-15 pela tripulação do voo da Cathay Pacific, no dia 28 de julho, aconteceu que um avião da Air France passou a leste do local onde outro míssil norte-coreano caiu, cerca de dez minutos antes do projétil se afundar.

Segundo refere a CNN, no momento em que esse míssil atingiu as águas, o avião comercial francês estaria já a uma distância entre 95 a 112 quilómetros a norte do local do impacto.