Enquanto o exército sul-coreano está já a realizar manobras navais com fogo real no Mar do Japão, em resposta ao último teste nuclear norte-coreano (a bomba de hidrogénio), ainda não há consenso entre as maiores potências quanto ao reforço de sanções contra Pyongyang. Se a China está, afinal, aberta a sanções adicionais, a Rússia nem por isso. 

O presidente russo, Vladimir Putin, disse esta manhã de terça-feira que está disponível para discutir alguns detalhes a esse nível, mas avisou que impor sanções mais duras "não faz sentido" porque não vai alterar a liderança de Kim Jong-Un, nem vai parar o programa nuclear em curso. Pode, antes, ter um impacto humanitário de grande escala. 

Depois da cimeira que reuniu os BRICS na China -Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, Putin também advertiu que é contra a intensificação da "histeria militar" em torno da Coreia do Norte. Não foi parco em palavras: isso poderá levar a uma "catástrofe global", cita a Reuters.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano, Kang Kyung-wha, adiantou entretanto que sente que o seu homólogo chinês,
Wang Yi, está aberto a sanções adicionais. Ambos discutiram por telefone o que fazer perante o sexto teste nuclear da Coreia do Norte.

Não posso contar detalhes exatos. O ministro pediu-me para não divulgar o conteúdo da nossa discussão, mas sinto que a China poderá estar aberta a mais sanções", disse, no parlamento.

Os Estados Unidos estão a preparar um projeto de resolução sobre novas sanções contra a Coreia do Norte e querem que o texto seja votado na próxima segunda-feira, anunciou ontem a embaixadora norte-americana junto da ONU, Nikki Haley. OS EUA estão fartos de "meias medidas" contra Pyongyang: "Paciência não é ilimitada".

Ação militar e nuclear EUA/Coreia do Sul

Entretanto, o ministério da Defesa da Coreia do Sul veio dizer que admite autorizar o destacamento de armas nucleares norte-americanas no país. Os Estados Unidos, para além de prometerem uma ação militar maciça e "esmagadora" como resposta, querem um embargo total à Coreia do Norte em termos comerciais, algo até aqui veemente condenado pela China. 

A Coreia do Sul estuda “todas as opções militares” para travar a crescente ameaça bélica do país vizinho, disse hoje em conferência de imprensa o porta-voz do ministério, Moon Sang-gyun, quando questionado sobre o possível envio de armamento nuclear tático do seu aliado.

No entanto, Moon ressalvou que o Governo sul-coreano mantém o “princípio de desnuclearização” e que o seu objetivo a longo prazo é conseguir uma península coreana livre de armas nucleares, segundo declarações citadas pela agência Yonhap.

Os exercícios levados hoje a cabo em Seul, com fogo real, contaram com a participação da fragata de 2.500 toneladas Gangwon, de um navio-patrulha de mil toneladas e de vários navios de alta velocidade, e incluíram o lançamento de mísseis guiados.

“O exercício está destinado a melhorar a capacidade de resposta imediata perante possíveis provocações navais do inimigo”, afirmou o comandante Choi Young-chan, em declarações à agência Yonhap.

Merkel faz pedido à Europa

A chanceler alemã defendeu hoje que a Europa deve fazer-se ouvir sobre o programa nuclear norte-coreano. 

A Europa tem uma voz importante neste mundo e nesta situação deve empregá-la"

Na sua intervenção na última sessão da legislatura no Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão, antes das eleições gerais de 24 de setembro, Angela Merkel voltou a defender uma "solução pacífica e diplomática" para a qual é preciso recorrer a todos os meios possíveis.