O deputado Marcos Figueroa, do partido opositor Aliança Bravo Povo, instou hoje o Governo venezuelano a investigar os acordos assinados com Portugal e a Colômbia, para a construção de fábricas de medicamentos, sublinhando que as obras não avançaram.

"O Governo nacional assinou acordos internacionais com Portugal e a Colômbia para a construção de três fábricas de medicamentos que não existem (…) não há nada nem um cartaz informando o povo do projeto", disse o deputado num comunicado distribuído em Anzoátegui.

Segundo o parlamentar para um dos acordos assinados, foi destinada a quantia de 96 milhões de dólares para a construção de uma fábrica de antibióticos em Anzoátegui (320 quilómetros a leste de Caracas), "mas a mesma não existe".

Por outro lado seriam ainda construídas duas fábricas - uma no estado de Carabobo e outra em Miranda -, ambas a oeste de Caracas, cujas obras também não avançaram.

"Essas fábricas, em funcionamento, significariam 800 pastilhas por minuto cada uma, 48 mil pastilhas por hora. Como falamos de três fábricas são mais de 3,45 milhões de pastilhas por dia. Em vez das pessoas procurarem, de farmácia em farmácia, um medicamento para a tensão, a tiroide (que escasseiam), estaríamos exportando medicamentos neste momento", explica o documento.

A 21 de novembro de 2011 a então ministra da Saúde, Eugénia Sader, anunciou que a Venezuela pretendia iniciar, em julho de 2012, a produção de fármacos e antibióticos, como penicilina e cefalotina, com a assessoria de Portugal.

"A primeira fábrica faz-se com um acordo internacional com Portugal, a quem comprámos a conceção da fábrica, que nos vai assessorar até produzirmos o terceiro lote", disse.

A ministra falava no programa televisivo Toda Venezuela, transmitido pelo canal estatal Venezuelana de Televisão, onde falou da viagem que acabava de fazer por Itália, Alemanha e Portugal, centrada na negociação e compra de equipamento para produzir medicamentos na Venezuela.

Com peritos de Portugal, Colômbia e Cuba, adiantou, vão ser criadas três fábricas de medicamentos em Anzoátegui, Carabobo e Miranda.

A fábrica em que os portugueses estariam envolvidos produziria "penicilina e cefalosporina, dois tipos de antibióticos que têm um consumo muito alto na Venezuela", especificou, realçando que já estariam em curso os trabalhos de construção de uma unidade de Barcelona (Anzoátegui).