A quantidade de alcóol ingerida está associada ao stress provocado pelas longas horas de trabalho, conclui um estudo. 

Pessoas que trabalham mais de 48 horas por semana têm tendência a ingerir mais álcool do que os trabalhadores que fazem menos horas. Esta é a conclusão do estudo que contou com a participação de mais de 300 mil pessoas de ambos os sexos, publicado no jornal medicinal «BMJ».

Nas mulheres foi considerada demasiada a ingestão de mais de 14 bebidas por semana, enquanto o consumo dos homens tornava-se abusivo após a ingestão de 21 bebidas.

A ligação entre o consumo excessivo de álcool e as longas horas de trabalho aponta para a obrigação de um papel ativo dos empregadores que devem estar atentos ao abuso de álcool e aos problemas decorrentes desse excesso, adverte o estudo citado pela «Time». 

«Se as pessoas bebem em demasia, se não dormem bem, não estão bem socialmente. É importante que os empregadores prestem atenção à produtividade dos seus trabalhadores e ao ambiente no trabalho», afirma Cassandra Okechukwu, que escreveu o editorial que acompanha o estudo.


As longas horas de trabalho e o aumento do consumo de álcool está patente em todos os grupos socioeconómicos.  Contudo, um trabalhador de uma cadeia de fast-food, por exemplo, que trabalhe 60 horas por semana e tenha dois empregos,  tem maiores probabilidades de consumir mais bebidas alcoólicas do que um banqueiro que trabalhe as mesmas horas.

«As pessoas usam o álcool como forma de relaxamento», observa Okechukwu.

Embora o estudo identifique as questões de saúde pública associadas às longas horas de trabalho, não fornece nenhuma orientação política para resolver o problema, deixando essa iniciativa para os governos e para a sua sensibilidade na elaboração das leis laborais.