A construtora Odebrecht manifestou-se hoje “indignada” com a detenção de cinco dos seus executivos por suspeitas de envolvimento com a corrupção na Petrobras, no âmbito da Operação Java Lato, no Brasil, e negou participação em “qualquer cartel”.

Em comunicado publicado hoje na imprensa portuguesa, a Organização Odebrecht negou “veemente as acusações de ter participado em qualquer cartel” e considerou que as medidas cumpridas pelas autoridades (prisão de executivos e busca e apreensão em algumas das suas empresas no Brasil) foram “desnecessárias e ilegais, diante da inexistência de qualquer facto novo em mais de um ano do início da operação”.

Os presidentes das construtoras brasileiras Odebrecht e Andrade Gutierrez foram detidos no dia 19 de junho passado, por suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras, na 14.ª fase da Operação Java Lato, da Polícia Federal e do Ministério Público brasileiros.

O procurador do Ministério Público Federal, Carlos Fernando dos Santos Lima, afirmou à imprensa em junho que as empresas comandavam um cartel para a decisão de contratos na petrolífera e que havia o pagamento de propinas com o envio de remessas ilegais para contas bancárias fora do Brasil.

Hoje, num anúncio publicado na imprensa portuguesa, a Odebrecht afirma que “não há cartel num processo de contratação inteiramente controlado pelo contratante, como ocorre com a Petrobras, que sempre definiu os seus próprios orçamentos e critérios de avaliação técnico-financeiro e de performance”.

No comunicado, a empresa sublinha “nunca ter colocado quaisquer obstáculos à investigação”, estando os seus executivos disponíveis para prestar esclarecimentos.

“No âmbito da Justiça Federal do Paraná, central da Operação Java Lato, todos os documentos solicitados foram fornecidos e os executivos da empresa ofereceram-se, espontânea e formalmente, para prestar depoimentos para as quais nunca forma convocados e que certamente teriam esclarecido todas as dúvidas da investigação”, aponta a organização.


A Odebrechet dispoem-se ainda, no comunicado, estar à disposição das autoridades brasileiras “para que todas as questões sejam rapidamente esclarecidas”.

A 14.ª fase da Operação Java Lato foi realizada com ações em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com a execução de 12 mandados de prisão temporária e preventiva, entre eles o dos presidentes Marcelo Odebrecht, da empresa com o mesmo nome, e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez, além de outros executivos das empreiteiras.

A Odebrecht é a maior construtora brasileira e lidera projetos de infraestruturas não só no país, mas também em Portugal, Angola, Moçambique e na Guiné Equatorial. A Andrade Gutierrez é a terceira maior construtora do Brasil e também tem negócios na África lusófona.

As empresas já haviam sido citadas como participantes no esquema por executivos da Petrobras, que fizeram acordo com as autoridades, em que se comprometeram a ceder informações em troca de uma possível redução da sua pena na Justiça.

Na semana passada, a revista brasileira Veja citava o nome do secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e embaixador moçambicano no Brasil (entre 2006 e 2012), Murade Isaac Murargy, numa investigação sobre desvios de dinheiro na Petrobras.