A Universidade Politécnica da Nicarágua, que serviu de abrigo para estudantes que protestam contra o presidente do país, Daniel Ortega, foi saqueada no sábado, horas depois dos alunos abandonarem o campus.

Segundo o conselho de administração da instituição, a universidade foi “destruída e saqueada de forma impiedosa” no sábado por um grupo que permanece no campus, posterior ao comunicado do Movimento 19 de Abril.

Na manhã de sábado, os estudantes que apoiam aquele movimento anunciaram que abandonavam a sede da universidade, a este de Manágua, capital do país, onde se tinham refugiado para escapar ao denominado “massacre estudantil” no qual pelo menos dez pessoas morreram e cuja responsabilidade atribuem à Polícia Nacional e à Juventude Sandinista.

O Banco de Finanças informou que a agência instalada na universidade foi afetada pelo saque.

Alguns dos alunos informaram depois que a razão por que deixaram a universidade, considerada bastião da luta contra Daniel Ortega e a sua mulher, a vice-presidente, Rosario Murillo, se deveu ao número de pessoas que acedeu às instalações com o objetivo de “desacreditar” a luta dos estudantes.

Esta é a crise sociopolítica mais sangrenta desde os anos de 1980, então, como agora, com Daniel Ortega como Presidente do país.

Na sexta-feira, o número de pessoas mortas durante esta crise aumentou para 135, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos.

Os protestos contra Ortega e a sua mulher começaram em 18 de abril devido às reformas da Segurança Social e converteram-se na exigência de renúncia do chefe de Estado, depois de 11 anos no poder, com acusações de abuso e corrupção.