Rio de Janeiro e São Paulo, as duas maiores cidades brasileiras voltaram a ser palco de protestos na quinta-feira. No Rio, foi cortada uma autoestrada em hora de ponta, junto à favela da Rocinha, onde vive Amarildo. Amarildo, pedreido detido há cerca de duas semanas quando confundido com um traficante de droga e entretanto desaparecido, serviu de lema às manifestações. «Onde está Amarildo?», perguntam os manifestantes. A polícia diz que identificado o erro, o homem foi libertado, mas as imagens das câmaras de vigilância não mostram o pedreiro a sair da esquadra. O Ministério Público está a investigar o caso, sem excluir a hipótese de homicídio, noticia o jornal brasileiro «Exame».

Protestos que correm mundo, muito por graças das novas tecnologias. A «Globo» dá conta de que um jornalista da revista «Vice» foi fazer a cobertura dos protestos usando os óculos da Google e que o resultado só não foi positivo devido à ligação de Internet ser fraca.

De protesto em protesto, dia para dia, o Brasil vive um clima de tensão desde o mote dado pelo aumento dos transportes, mas que foi agregando muitos assuntos, desde os direitos sociais à corrupção dos políticos. O país já teve duas provas de fogo. As manifestações decorreram lado a lado com eventos como a Taça das Confederações e a visita do Papa. Agora, vêm outras duas provas: o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos. O cantor Gilberto Gil, que também já foi ministro, mostra-se tranquilo e, em entrevista à BBC, acredita que os eventos vão «conviver» com as manifestações.