A polícia de intervenção voltou este sábado a utilizar canhões de água e gás lacrimogéneo em Istambul para dispersar mais uma manifestação junto ao parque Gezi, o epicentro dos grandes protestos de maio e junho e que alastraram pelas principais cidades do país.

A meio da tarde, centenas de pessoas concentraram-se na Istiklal, uma artéria comercial de Istambul, e pretendiam dirigir-se à praça Taskim, nas imediações do parque Gezi, onde ia ser lido um comunicado, mas foram bloqueados por blindados da polícia.

Os manifestantes gritaram palavras de ordem em apoio à Ordem Oficial de Arquitetos, um organismo até agora de consulta obrigatória para os projetos de reformas urbanas, mas cujas competências foram anuladas na terça-feira após uma lei aprovada pelo Parlamento.

Após uma hora de tensão na rua Istiklal, a polícia decidiu carregar com canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar a concentração, referiu a agência noticiosa Efe.

A oposição considerou a nova lei aprovada pelo Parlamento, dominado pelos islamitas-conservadores do AKP, uma «vingança» contra o organismo profissional pelo facto de vários dos seus dirigentes integrarem a direção da rede Solidariedade com Taksim, que tem coordenado os protestos contra os polémicos projetos de reabilitação urbana do parque Gezi.

A secretária-geral desta associação de arquitetos, Mucella Yapici, foi detida segunda-feira, acusada de «criar uma organização com fins delituosos», mas foi libertada quinta-feira por ordem judicial.

Um comunicado difundido pela Ordem dos Arquitetos de Istambul denuncia que a lei aprovada «numa operação noturna» com os votos do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder desde 2002) que «não admite nenhuma voz dissidente» constitui «um convite aberto para saquear bosques, praias, campos e águas».

Em Ancara, a polícia também bloqueou com blindados uma marcha a favor da Ordem dos Advogados, informou a página digital do diário Hurriyet.