A inauguração das novas instalações do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha, provocou esta quarta-feira uma onda de protestos que parecem estar longe do fim.

Claudia Richter, uma emigrante naquela cidade, contou na antena da TVI24 que o objetivo dos ativistas, aparentemente, é chegar ao centro da cidade «onde já estão preparados vários corpos de intervenção da polícia».

A tradutora adiantou que, a partir de testemunhos que recolheu de amigos e conhecidos, «além do grupo grande em frente ao BCE, há vários grupos de ativistas espalhados pela cidade a incendiarem carros» e que um desses grupos terá mesmo tentado «arrombar uma esquadra e incendiado três carros».


Frankfurt é esta quarta-feira uma cidade com o «comércio fechado», onde já foram destruídos bancos e lojas.
Por enquanto, o foco da violência concentra-se em frente às novas instalações do BCE. Claudia Richter não conseguiu alcançar o local, já que «toda a zona à volta do BCE ficou cercada».

A polícia organizou um cordão de proteção em torno do novo edifício do BCE e lançou canhões de água para impedir os manifestantes de entrarem no novo edifício que custou 1,3 mil milhões de euros.

«O que se vê são carros queimados, fumo no ar, muitos polícias. Neste momento, há nove mil polícias de todo a Alemanha em Frankfurt». 


Apesar de todo o aparato e violência, a emigrante mostra-se conformada com a sucessão de acontecimentos. «Já estamos um pouco habituados a isto e com o BCE com maior dimensão em Frankfurt vai passar a ser comum».
Cladia Richter lamenta, no entanto, a destruição de alguns edifícios, mas «os cidadãos de Frankfurt não têm nada contra manifestações, fazem parte do nosso Estado de Direito».
 
De acordo com órgãos de informação internacionais, vários polícias ficaram feridos. A CNN, que cita fontes policiais, fala em 88 agentes feridos. Oito foram atingidos na cabeça por pedras atiradas por manifestantes e 80 foram atingidos por uma substância desconhecida. 

As autoridades detiveram cinco pessoas por atos violentos contra a polícia e 500 por desacatos, adianta a porta-voz da polícia de Frankfurt Tessa Koschig. 
  
Os organizadores do protesto acusam a polícia de ter dado origem à violência, dizendo que montaram um «cenário típico de guerra civil».

A organização estima que pelo menos 10 mil manifestantes se tenham concentrado na capital financeira da Alemanha.