Os apoiantes do presidente egípcio deposto, Mohamed Morsi, atacaram hoje esquadras em duas províncias do Egito, provocando a morte de pelo menos dois polícias. Também esta quinta-feira, Barack Obama condenou a violência no país e cancelou um exercício militar. Já o Governo declarou que está determinado a combater os «atos terroristas» da irmandade muçulmana.

Um polícia de 21 anos foi mortalmente atingido a tiro no peito na cidade de Al-Arish, e outro morreu na sequência de um ataque a uma esquadra na cidade de Assiut.

Em Gizé, cidade a cerca de 20 quilómetros da capital Cairo, e a terceira maior do Egito, os manifestantes islamitas invadiram a sede do governador civil e incendiaram-na, de acordo com relatos da televisão estatal egípcia.

A ONU pediu hoje uma investigação à ação das forças de segurança no Egito, onde se registam desde quarta-feira confrontos que mataram mais de 500 pessoas.

O inquérito foi hoje anunciado pela alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, Navi Pillay, em comunicado divulgado em Genebra, Suíça.

A comissária esclareceu que a ONU quer «uma conduta independente, imparcial, eficaz e credível das forças de segurança».

Entretanto, Barack Obama condenou os confrontos no país e anunciou o cancelamento de um exercício militar conjunto com o Egito que estava previsto para o próximo mês. O presidente disse ainda que os Estados Unidos «não podem determinar o futuro do Egito» e que Washington «não toma partido» por qualquer das partes do conflito que provocou mais de 500 mortos.

«A América não pode determinar o futuro do Egito. Essa é uma tarefa para o povo egípcio», disse Barack Obama, numa declaração a partir da ilha de Martha Vineyard (Massachusetts), onde está a passar férias.