Quase 280 pessoas morreram esta quarta-feira e duas mil ficaram feridas em resultado dos confrontos na cidade do Cairo e noutras províncias egípcias depois da ação policial contra os acampamentos dos apoiantes do presidente deposto Mohamed Morsi.

De acordo com o novo balanço do Ministério da Saúde, citado pela Lusa, registaram-se 235 mortes entre civis, às quais o Ministério da Administração Interna acrescentou a morte de 43 polícias.

As forças de segurança invadiram hoje os acampamentos de protesto dos apoiantes do presidente Morsi, num assalto há muito antecipado.

Em resposta à violência, o governo interino impôs o estado de emergência e recolher obrigatório durante um mês no Cairo e outras 13 províncias.

Imagens e vídeos do derramamento de sangue no Cairo dominaram os meios de comunicação e as redes sociais, ao mesmo tempo que as potências mundiais pediam contenção e condenavam a demonstração de força por parte das forças de segurança.

Pelo menos quatro igrejas foram atacadas, tendo os ativistas cristãos acusados os apoiantes de Morsi de levarem a cabo uma «guerra de retaliação contra os coptas no Egito».

Horas depois dos primeiros disparos de gás pimenta terem chovido nas tendas dos protestantes na praça Rabaa al-Adawiya, um correspondente da France Presse contou pelo menos 124 mortos nas morgues improvisadas.

Num hospital de campanha, com o chão escorregadio de sangue, os médicos lutavam para lidar com as vítimas, pondo de parte os casos críticos, mesmo quando ainda estavam vivos.

Entre os mortos registados no Cairo está a filha de 17 anos de um líder da Irmandade Muçulmana, afirmou um porta-voz do movimento pró-Morsi.

A britânica Sky News anunciou também que um dos seus repórteres de imagem, Briton Mick Deane, foi alvejado e morto quando fazia a cobertura dos confrontos.

A violência precipitou a saída do vice-presidente Mohamed El-Baradei, que justificando que a sua consciência estava perturbada com a perda de vidas, principalmente por acreditar que todas aquelas mortes poderiam ter sido evitadas.

Entretanto, já à noite, um membro das forças de segurança garantiu que a praça Rabaa al-Adawiya estava «totalmente sob controlo» e que já não se registam mais confrontos.

As autoridades afirmaram depois que a calma tinha regressado um pouco por todo o país.