O primeiro-ministro australiano Tony Abbott criticou esta sexta-feira o tratamento a que estão a ser sujeitos os dois australianos condenados à morte na Indonésia, numa altura em que a sua execução pode vir a ser adiada.

Andrew Chan e Myuran Sukumaran, condenados em 2006 à pena capital por tráfico de droga, foram transferidos na quarta-feira para a ilha de Nusakambangan, onde se espera que sejam executados.

A Austrália diz-se consternada com os procedimentos de segurança em torno da sua transferência, que incluiu dezenas de polícias com armas na mão, e indignada com o facto de as fotografias tiradas aos prisioneiros no avião terem sido autorizadas a circular.

Uma das fotos mostra um comissário da polícia de Denpasar, capital da ilha de Bali, que se acredita ser Djoko Hari Utomo, a tirar uma selfie com a mão nas costas de Andrew Chan, de rosto pálido.

Noutra fotografia, o comissário tem a mão no ombro de Myuran Sukumaran, que olha para ele.

«Senti que [aquelas imagens] eram inapropriadas e mostram uma falta de respeito e dignidade, e já fizemos saber da nossa indignação ao embaixador indonésio aqui em Camberra», declarou Tony Abbott.

Uma vez na ilha de Nusakambangan, os condenamos à morte são notificados da data da execução com 72 horas de antecedência, o que ainda não aconteceu, e, de acordo com informações da imprensa australiana divulgadas esta sexta-feira, a aplicação da pena pode ser adiada.

A televisão ABC citou o ministro indonésio da Justiça e Direitos do Homem, Yasonna Laoly, que disse que poderá haver «um curto atraso». Já a Fairfax Media, citou um procurador-geral, Muhammad Prasetyo, que entende que esse atraso pode ser mais longo.

«Em relação ao aviso antes da execução dado aos condenados, é de três dias, no mínimo, mas pode ir até aos 10 dias», disse.