O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou esta quarta-feira que as regras para a recolocação de refugiados não estarão prontas nos próximos dias, ressalvando que o mais importante é os governos nacionais concordarem no geral com as propostas.

Em conferência de imprensa após um debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Juncker admitiu que os "textos legislativos não devem estar prontos para o conselho (de ministros do Interior da União Europeia)", agendado para o próximo dia 14.

Nessa reunião, o responsável espera que os Estados-membros "pelo menos concordem nos pontos principais".

"Se concordassem com o texto todo seria o melhor, mas claro que não podemos falar pelos países", adiantou Juncker, manifestando a sua satisfação pelas "respostas positivas" que tem recebido de vários governantes e por "Estados que estavam menos entusiasmados em maio do que agora" com as medidas para a crise dos refugiados.

Questionado sobre como convencer os países a receber refugiados, Juncker garantiu não ser “ditador" e que está atento a "opiniões que não gostam" do seu projeto. "Mas é um projeto que eu tenho que desenvolver e não vamos seguir os populistas", acrescentou.

Aos jornalistas, o presidente reafirmou que "solidariedade e coragem são as palavras-chave" para a Europa e notou como a foto de uma "pequena e inocente" criança morta numa praia turca "galvanizou" as pessoas e como os pescadores têm encontrado cadáveres todos os dias.

"Essa é uma imagem que não vai desaparecer e se a esquecermos isso iria destruir o debate que temos estado a fazer", disse, instando que a União Europeia deverá "sentir orgulho" por ser o local escolhido por quem foge da guerra e da fome, que não quer ir para os Estados Unidos, China ou Rússia.


O chefe do executivo comunitário Jean-Claude Juncker, propôs hoje, em Estrasburgo, a distribuição pelos Estados-membros de mais 120 mil refugiados que estão na Itália, Grécia e Hungria, com caráter urgente e obrigatório.

"Proponho hoje a recolocação de mais 120 mil pessoas que estão na Itália, Grécia e Hungria e isto tem que ser feito de modo vinculativo", disse Juncker, no discurso do estado da União Europeia (UE).

"São 160 mil pessoas que os europeus devem receber de braços abertos", salientou, lembrando que, em maio, Bruxelas já tinha proposto a distribuição entre os vários estados-membros (recolocação) de 40 mil refugiados.


Portugal vai receber 3.074 refugiados segundo a lista hoje divulgada e que é liderada pela Alemanha como o país que mais refugiados receberá (31.443), seguindo-se a França (24.031) e a Espanha (14.931).

Entre os Estados-membros que menos pessoas receberão estão Malta (133), Chipre (274) e Estónia (373).

Na recolocação foram levados em conta a população de cada país, o PIB, o número de refugiados já recebidos nos quatros anos anteriores e a taxa de desemprego.