O antigo primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, formalizou hoje junto do Partido Popular Europeu (PPE) a sua vontade de ser o candidato desta família política ao posto de presidente da Comissão Europeia, ainda ocupado por Durão Barroso.

Juncker, antigo presidente do Eurogrupo, é por muitos apontado como o favorito a ser o candidato daquela que é atualmente a maior família política europeia - tanto no Parlamento Europeu como no Conselho (Estados-membros) -, e tem o apoio da CDU alemã, de Angela Merkel.

Oficialmente, são já dois os «candidatos a candidatos» pelo PPE, com Juncker a juntar-se ao antigo primeiro-ministro letão Valdis Dombrovskis, mas outros candidatos ainda deverão surgir até à data limite para a apresentação de candidaturas, 05 de março, véspera da cimeira do partido agendada para Dublin, para os dias 06 e 07, na qual será eleito o candidato designado por esta família política à presidência do executivo comunitário.

O PPE integra os partidos portugueses PSD e CDS-PP, tendo o líder dos democratas-cristãos, Paulo Portas, anunciado recentemente que o seu partido já «sinalizou» ao Partido Popular Europeu a sua «simpatia» por Juncker, defendendo que é um político «experiente e respeitado» e bem aceite no sul, norte e centro da Europa.

Durão Barroso, que pertence à família do PPE, e cujo segundo mandato só termina a 31 de outubro, ainda não anunciou se será ou não candidato, embora pareça praticamente afastada a possibilidade de recandidatura, depois de 10 anos no cargo, apesar de os tratados europeus não impedirem um terceiro mandato.

Esta é a primeira vez que as famílias políticas apresentam candidatos à presidência da Comissão Europeia, no quadro das primeiras eleições europeias realizadas à luz do Tratado de Lisboa, que conferiu mais poderes à assembleia, incluindo o resultado do sufrágio (neste caso, de maio próximo) ser «tido em conta» na designação do presidente da Comissão, que continua a pertencer ao Conselho.

De momento, os candidatos a presidente da Comissão são o alemão Martin Schulz, pelos Socialistas Europeus (atualmente o segundo maior grupo político europeu, em que se inclui o PS, e que, segundo diversas sondagens, poderá aproximar-se ou mesmo ultrapassar o PPE), o belga Guy Verhofstadt, pelos Liberais (hoje a terceira família do hemiciclo europeu), o grego Alexis Tsipras, pelo Grupo da Esquerda Unitária (em que se encontram as delegações do Bloco de Esquerda e PCP), e o francês José Bové e a alemã Ska Keller, pelos Verdes.