Um documento, emitido esta quarta-feira, pela Comissão Europeia, revela falhas no controlo das fronteiras por parte da Grécia. Bruxelas considera que as autoridades gregas foram "negligentes" nas suas obrigações de controlar as fronteiras externas. 

O comunicado surge depois da Comissão Europeia ter visitado a Grécia entre 10 e 13 de novembro de 2015, para averiguar como estava a correr a entrada de migrantes. "A Grécia negligenciou as suas obrigações", disse Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão, de acordo com a BBC. 

Segundo a Comissão, existem grandes e graves falhas no registo dos migrantes que entram na União Europeia através da Grécia. Os meios utilizados pelos gregos mostram-se insuficientes, já que não foram retiradas as impressões digitais a todos os migrantes. Desta forma, é impossível confirmar quem entrou ou não na União Europeia nos últimos meses. Nem controlar cadastros e registos nos serviços de segurança, nacionais e internacionais, como é o caso da Interpol.

A Comissão vai dar três meses à Grécia para retificar os erros. Se a situação não for corrigida, a sobrevivência do acordo de Schengen pode estar em risco, já que a União Europeia pode ver-se na necessidade de recomendar aos estados-membros a reintrodução das fronteiras. 

O comissário europeu para as migrações, Dimitris Avramopoulos, já fez saber que a Grécia está empenhada "em corrigir os erros e cumprir as obrigações impostas pelo acordo de Schengen", segundo a BBC.

Só em 2015, a Grécia deixou passar pelas suas fronteiras 850 mil migrantes. Em janeiro de 2016 o número já vai em 44 mil.