A Rússia está a destruir todos os produtos alimentares estrangeiros que foram proibidos no país. A medida entrou em vigor esta semana e já está a revoltar milhares de cidadãos, que se juntaram numa petição em jeito de protesto.

A grande maioria dos alimentos produzidos nos países que aplicaram sanções económicas à Rússia é proibida neste país desde o ano passado. As sanções, recorde-se, surgiram como uma resposta à anexação ilegal da Crimeia. Só que agora, todos os que violam a regra veem estes produtos apreendidos e destruídos.

O decreto presidencial entrou em vigor na quinta-feira e já está a indignar milhares de cidadãos. A televisão estatal russa mostrou várias imagens de alimentos a serem completamente destruídos.




Revoltada com o desperdício de comida, Olga Saveleva criou uma petição online contra a medida de Vladimir Putin. Uma petição que já juntou 285.000 assinaturas. 

“Se começam a destruir comida, o que acontece a seguir? É como se as nossas autoridades não se importassem com as pessoas”, afirmou à BBC Olga Saveleva.


Saveleva sublinhou que as sanções contra a Rússia por si só já promoveram a inflação e empurraram as pessoas para a pobreza e deu um caso em concreto.

“Um pensionista escreveu-me, dizendo ‘não consigo comer, não consigo comprar isto nem aquilo, se querem destruir os produtos tragam-nos a minha casa, eu posso comê-los'.”




A proibição de certos alimentos cria dificuldades acrescidas a quem tem negócio no setor da restauração. Confecionar um prato de queijo sem um produto francês, por exemplo, pode surpreender o cliente, mas pela negativa. Por isso, os proprietários dos estabelecimentos são forçados a puxar pela criatividade e a contar com a ajuda dos fornecedores para conseguirem alternativas.

“Claramente não se pode substituir um queijo Camembert ou um queijo Brie por um russo e um prato de queijo fica aborrecido sem eles. Não sei de onde vêm, mas os fornecedores conseguem arranja-los sempre" , afirmou  o chefe Andrei Antonov à BBC.


Sabe-se que muitos produtos proibidos entram pela Bielorrússia, onde ganham novas embalagens e novos rótulos.

Mas se há quem se revolte contra o decreto, há também quem aplauda o fim do contrabando. Esta semana, por exemplo, um grupo de jovens raparigas vestidas com camisolas que diziam “Comam o que é russo” estiveram num supermercado de Moscovo a inspecionar os produtos que ali se encontravam. Para elas, a nova lei permite que os itens estrangeiros deixem de entrar no país.