Um dia depois do acidente ferroviário na Alemanha, que vitimou dez pessoas e deixou dezenas feridas, algumas em estado crítico, ainda não se sabe como é que os dois comboios chocaram de frente.

A polícia da Baviera já veio, no entanto, esta quarta-feira, desmentir a teoria de que o sistema de alarme, que automaticamente avisa quando circulam dois comboios na mesma linha, tinha sido desligado e trocado para o controlo manual, de modo a que uma das composições cumprisse o horário.

Segundo um porta-voz da polícia, citado pela BBC, a teoria de erro humano é “pura especulação”, pelo que “rejeitam” a informação baseada em fontes que foi posta a circular.

As linhas alemãs estão equipadas com um sistema, denominado PZB90, que dispara automaticamente um alarme caso circulem duas composições na mesma linha e obriga os comboios a travarem. Este sistema foi introduzido no país precisamente após um acidente, em 2011, na Saxónia, que também vitimou dez pessoas.

Duas das três caixas negras dos comboios foram recuperadas logo na terça-feira, aguardando-se a análise dos dados e os resultados do inquérito.

O ministro dos Transportes adiantou, no entanto, na terça-feira, após visitar o local do acidente, que “os comboios circulavam a alta velocidade” quando a velocidade permitida naquele troço era de 100 km/hora.

O Guardian acrescenta que, numa análise preliminar, os investigadores presumiram que maquinistas nem sequer tiveram contacto visual, já que a colisão deu-se numa curva.

A TransDev, empresa-mãe da Meridian, a companhia que gere os comboios regionais na Alemanha, confirmou, segundo o jornal britânico, que num dos comboios seguia também um maquinista que estava a receber formação.

 

Maquinistas morreram no acidente

 

Os maquinistas e os revisores foram algumas vítimas do acidente, ocorrido antes das 07:00 de terça-feira, perto de Rosenheim, que fez um total de dez vítimas mortais. O óbito foi declarado no local a nove das vítimas, a décima morreu no hospital.

Nos comboios circulavam pouco mais de 150 passageiros, que foram encaminhados para os hospitais. Um número ainda assim reduzido, graças às férias de Carnaval. O número de feridos foi, mais tarde, corrigido para 88, mas duas dezenas permanecem internadas em estado grave. Há ainda uma pessoa desaparecida.

Cerca de 500 socorristas foram mobilizados para o local, que contaram com o apoio de 15 helicópteros, devido às dificuldades de acesso.