Testemunhas do acidente ferroviário que matou várias pessoas nos arredores de Paris descrevem momentos de pânico vividos a seguir ao descarrilamento, cujas causas ainda não são conhecidas.

O diário Le Parisien registou os testemunhos de diversos passageiros, que descreveram o acidente.

Registaram-se «enormes pancadas, durante dez ou quinze segundos», referiu Laurent, um passageiro, em declarações à BFMTV. Após o acidente «havia fumo um pouco por todo o lado. As malas caíram, e de seguida mandaram-nos sair», referiu.

El Mehdi Bazgua, 19 anos, estava a caminho de casa dos pais, em Essonne, e da janela do comboio onde viajava assistiu ao desastre na estação de Brétigny-sur-Orge.

«Ouvi um enorme ruído. Foi tudo coberto por uma nuvem de poeira. Vi pedras e fios por terra. Depois a poeira dissipou-se, pensei que era um comboio de mercadorias. Vimos os primeiros feridos. Após um momento de pânico, todas as pessoas desceram do comboio. Vi um homem consciente mas com a cabeça aberta. Muitos sofreram golpes. Muitos passageiros ficaram presos nos destroços. Vou ficar chocado para sempre. Alguns filmavam a cena. Um dos feridos irritou-se. Fomos retirados pela polícia», indicou.

Contactado pela agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, explicou que já foi informado sobre o acidente e que até ao momento «não há qualquer informação» de que um cidadão português tenha sido afetado pelo acidente.

«Neste momento não temos nota de qualquer português que tenha sido atingido pelo acidente», afirmou o governante, ressalvando, contudo, ser ainda muito cedo para dizer com certeza.

José Cesário disse ainda que Lisboa «está em contacto com as autoridades francesas através do Consulado Geral de Portugal em Paris».

Um deputado socialista local, Michel Pouzol, relatou que há pessoas presas debaixo dos destroços do comboio, «várias carruagens foram destruídas e o telhado da estação foi parcialmente arrancado», referindo ainda que «toda a gente está em estado de choque».

Fonte da polícia indicou à agência France Presse que «o comboio entrou na estação a grande velocidade» e que «se partiu em dois por uma razão desconhecida».

Enquanto metade das composições «continuaram a andar, outra metade caiu de lado em cima da gare», acrescentou a mesma fonte.

O presidente francês, François Hollande, estava pelas 19:00 a caminho do local, que fica a cerca de 20 quilómetros a sul de Paris.

Segundo o ministro do Interior francês, Manuel Valls, pelo menos sete pessoas morreram no acidente, que ocorreu eram 16:23 em Lisboa, reconhecendo que o número de mortos e feridos está em «evolução constante».

Segundo um responsável dos caminhos-de-ferro franceses (SNCF), citado pelo Le Parisien, «não se registou uma colisão nem foi um problema de velocidade».

A página digital do diário Le Parisien, que inicialmente se referiu a oito vítimas mortais, confirmava pelo menos seis mortos e dez feridos graves.

O comboio intercidades tinha partido da gare de Austerlitz com destino a Limoges (centro).