Diana López Zuleta é uma mulher colombiana que decidiu tornar-se jornalista para poder resolver o caso do homicídio do pai, que foi assassinado quando ela tinha dez anos. O crime ocorreu a 22 de fevereiro de 1997 quando o pai, Luiz Lópes Peralta, na altura candidato à Câmara de Barrancas na região de La Guajira, na Colômbia, foi visitá-la a casa da mãe. O homem foi morto a tiro num hotel, a mando de Juan Francisco Gómez Cherchar, antigo presidente da autarquia e governador.

Citada pelo jornal espanhol El Mundo, Diana López Zuleta conta que, durante anos, nada acontecia na região de La Guajira sem o consentimento de Juan Francisco Gómez Cherchar, que mantinha relações de amizade com todos os chefes dos grupos de criminosos que atuavam naquela zona da Colômbia.

Dois homens a mando de Gómez entraram no quarto de hotel onde estava Luiz Lópes Peralta e dispararam um tiro que lhe acertou no pescoço. Diana López Zuleta revela que a hemorragia deveria ter sido estancada logo no primeiro hospital para onde a vítima foi levada, mas o homem acabou por ser transportado para um outro hospital, num carro da autarquia, que parou várias vezes pelo caminho. O médico de serviço era o irmão do acusado e López Peralta acabou por morrer, esvaindo-se em sangue.

"Eles mataram-no duas vezes", refere Diana López Zuleta ao jornal espanhol.

A última vez que a jovem viu o pai foi a 6 de janeiro de 1997, um mês e meio antes do homicídio. Recebeu a notícia da morte quando tinha apenas 10 anos e, a partir daí, conta que não conseguiu esquecer o caso. As perguntas sobre os motivos que levaram alguém a matar-lhe o pai eram muitas e fizeram com que fosse estudar jornalismo, para poder ser capaz de desvendar o caso. E acabou por fazê-lo sozinha. Durante muito tempo manteve-se em silêncio, a recolher provas e testemunhos.

"As memórias que tinha do meu pai sempre me deram força e foram o que me fizeram ir em frente. Sentia que ele seguia em frente comigo", afirma.

Inicialmente, a pena atribuída a Gómez Cherchar foi de 40 anos de prisão, pelos crimes de homicídio e conspiração agravada, sendo uma das vítimas o pai da jornalista colombiana. Posteriormente, foi condenado por outros crimes, o que resultou numa pena de 95 anos, embora a máxima na Colômbia seja de 60 anos.

"Cumpri com o meu dever enquanto filha e jornalista. A minha responsabilidade era não deixar as coisas ficarem assim", declara ao El Mundo. "Agora estou tranquila, sinto que o meu pai pode descansar".

O homem que ordenou a morte do pai de Diana López Zuleta está preso há quatro anos, mas, por precaução, a jornalista mal sai de casa. E, quando o faz, recorre a um colete à prova de balas, uma escolta de guarda-costas e um carro blindado. De todo o processo de investigação e julgamento, resultou uma arritmia cardíaca, que a obriga a viver monitorizada. Mesmo atrás das grades, o assassino continua a assombrar-lhe a vida.

"Continuo a receber avisos para ter cuidado", revela a jornalista"Na prisão, ele dispõe de telemóvel, o perfil do Twitter está ativo, mantém os contactos criminais, há indícios de que continua a controlar o contrabando e o narcotráfico".