Marco Gonçalves, o luso-americano que esteve cinco anos preso pelas Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia com Ingrid Betancourt, revela em livro que a refém franco-colombiana era «pouco diplomata» e que «não pedia nada, dava ordens», escreve a Lusa.

Marc Gonçalves é co-autor do livro «Desligados do cativeiro, sobreviver 1.967 dias na selva colombiana», assinado também pelos seus colegas norte-americanos de cativeiro, Tom Howes e Keith Stansell, publicado esta quinta-feira pela HarperCollins.

Impunha «vontades»

O livro conta, em 457 páginas, as tensões entre os reféns e os guerrilheiros, as horas que passaram nos acampamentos das FARC e a operação de helicóptero para os libertarem a 2 de Julho de 2008.

Ingrid Betancourt é apresentada no livro como «uma mulher capaz de impor a sua vontade não apenas aos seus companheiros de cativeiro mas também aos próprios guerrilheiros».

«Betancourt enviou mensagens ao chefe dos rebeldes colombianos, alegando que éramos agentes da CIA e que, por isso, ela queria que fossemos transferidos», lê-se numa passagem do livro.

Até ao momento, Ingrid Betancourt não reagiu à publicação deste livro.

Capturado em 2003

Marc Gonçalves, filho de Josephine Rosano e do luso-americano George Gonçalves, foi capturado pelas FARC em 13 de Fevereiro de 2003, quando o avião em que seguia com mais cinco companheiros se despenhou sobre a selva colombiana de Caquetá, durante uma missão de vigilância do cultivo da droga, ao serviço de uma companhia privada contratada pelo governo americano.

Os destroços do avião foram rapidamente cercados por guerrilheiros das FARC que executaram os tripulantes Thomas Janis e Luís Alcides Cruz, levando como reféns Marc Gonçalves, Keith Stansell e Thomas Howes.

A antiga candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt foi libertada na mesma operação.