Uma dieta rica em fibra reduz drasticamente o risco de cancro no intestino. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista «Nature Communications» que teve por base a dieta ocidental e africana. A recomendação de uma dieta baixa em carnes vermelhas e rica em fibras é já amplamente conhecida, no entanto, nem sempre é seguida, especialmente entre os ocidentais. 

Bolachas de milho, salsichas vegetarianas e vegetais são alimentos que não fazem parte do dia-a-dia da maior parte dos ocidentais. Nos EUA e no Reino Unido, por exemplo, a preferência recai mesmo por um bom pequeno-almoço de fritos e ovos estrelados, alimentos que, já se sabe, provocam consequências graves e, por vezes, irreversíveis na saúde. 

De modo a descobrir objetivamente os efeitos dessa má alimentação, os especialistas em cancro do Colégio Imperial de Londres entregaram a 20 norte-americanos voluntários um plano de refeições com base na dieta «tradicional» africana, rica em fibras e pobre em gordura, que devia ser seguido ao pormenor. Em oposição, 20 africanos tiveram de seguir uma dieta ocidental, abundante em carne vermelha e pobre em fruta, produtos hortícolas e outras fontes de fibra. 

Todos os voluntários realizaram exames de colonoscopia antes e depois da troca de regime alimentar. No início do estudo, quase metade dos americanos tinha pólipos (um crescimento anormal dentro do intestino que pode formar um cancro) e nenhum dos africanos sofria dessa patologia. 

Passadas duas semanas, o grupo ocidental reduziu a inflamação no cólon, enquanto que os sul africanos viram o risco de cancro aumentar drasticamente. 

«O que é realmente surpreendente é o quão rápido e drástico os marcadores de risco podem mudar em ambos os grupos», afirmou o líder da equipa do estudo do departamento de cirurgia e cancro do Imperial de Londres, Jeremy Nicholson. 

Na sua dieta tradicional, os africanos consumiam entre duas a três vezes menos proteína animal e gordura do que os americanos, mas consumiam significativamente mais hidratos de carbono e fibra. Tinham, portanto, níveis mais elevados de butirato (um dos três principais ácidos formados no interior do cólon). Os investigadores pensam que esse ácido tenha efeitos anti-cancerígenos e, por isso, depois das duas semanas de estudo foram encontrados níveis mais elevados nos americanos. 

«Esta investigação sobre as bactérias do intestino é extremamente importante para fazer a ligação entre a dieta e o risco de cancro do cólon. Significa que podemos desenvolver terapias que atinjam essas bactérias de forma a prevenir e tratar o cancro», referiu o professor e cirurgião de cólon retal no Imperial de Londres, James Kinross.


O cancro do intestino, também conhecido como cancro do cólon ou retal, dependendo do local onde o cancro surge, mata, todos os anos, cerca de 600 mil pessoas em todo o mundo. É considerado uma «doença ocidental» pois as carnes vermelhas e processadas são característica daqueles povos.