Um deputado egípcio disse que as mulheres devem ser mutiladas nos genitais para ajudar a combater a impotência masculina, considerada uma “doença sexual”.

Elhamy Agina defendeu ainda que a circuncisão feminina, considerada ilegal em 2008, ajuda na redução do desejo sexual das mulheres.

O político considera que a não realização da intervenção só deve ser uma opção se o Egito tiver “homens fortes” capazes de controlar os seus próprios impulsos sexuais, refere um relatório do Parlamento daquele país, citado pelo Independent.

Temos uma população masculina com grave problemas de potência sexual, o que se percebe porque o Egito está entre os maiores consumidores de estimulantes sexuais, que só os fracos consumem. Se pararmos [com a mutilação genital feminina] precisaremos de homens fortes e não temos esse tipo de homens", disse o deputado.

Um inquérito sobre a saúde no país, citado pelo jornal britânico, revela que nove em cada dez mulheres egípcias, com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos, foram circuncisadas.

Não só no Egito, mas também noutros países africanos, a mutilação genital é considerada uma tradição com diferentes interpretações nas várias culturas de origem tribal. Raparigas e rapazes são circuncisados em tenra idade, sem recurso a qualquer anestesia ou esterilização dos materiais, e muitos não resistem aos ferimentos.

A mutilação genital consiste em retirar, de forma parcial ou total, parte do órgão genital. Esta intervenção é realizada, na maior parte das vezes, pelo membro mais velho da comunidade e com recurso a uma lâmina, tesoura ou outro objeto cortante, utilizado em várias pessoas sem qualquer cuidado de higienização.

Não existe nenhuma justificação médica ou cientifica que sirva de base à circuncisão, antes pelo contrário. As pessoas que passam por este processo tendem a desenvolver problemas de saúde, relacionados com a vida sexual, a reprodução e também de foro psicológico.

Na Europa a prática de circuncisão é ilegal, mas em Portugal há relatos de casos onde o ritual se cumpre, em segredo, entre a comunidade afrodescendente, sem que as autoridades consigam intervir. O primeiro estudo em Portugal revelou que mais de seis mil mulheres, com mais de 15 anos e residentes no país, foram submetidas a alguma forma de mutilação genital feminina.