O papa Francisco manifesta preocupação face à possibilidade de "alianças muito perigosas", especialmente para os emigrantes, entre as 20 maiores economias mundiais.

Temo alianças muito perigosas entre poderes que têm uma visão distorcida do mundo: América e Rússia, China e Coreia do Norte, Putin e Assad na guerra a Síria", disse Jorge Bergoglio numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica.

O perigo é com a imigração. O nosso principal problema é, infelizmente, crescer num mundo com pobres, fracos, excluídos, e os imigrantes estão incluídos”, disse, explicando ser por essa razão que o G20 "o preocupa.

Na sexta-feira, o papa enviou uma mensagem aos países do G20, apelando para uma concentração de esforços quanto aos pobres e refugiados, e soluções para evitar conflitos.

Na mensagem enviada à chanceler Angela Merkel, anfitriã do encontro do G20, o Papa Francisco pede aos participantes “prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos sofredores, aos deslocados e excluídos, sem distinção de nação, raça, religião ou cultura” e que “rejeitem os conflitos armados”.

O Papa chama também a atenção para a “situação trágica no Sudão do Sul, na bacia do lago Chade, no Corno de África e no Iémen, onde 30 milhões de pessoas não têm comida e água necessárias à sua sobrevivência”.

Recordando que os G20, o grupo dos países mais desenvolvidos do planeta, incluem um número reduzido de países, que representam 90% da produção mundial de bens e serviços, o Papa considerou que tal “deve levar os participantes a uma profunda reflexão”.

Os Estados e pessoas que têm menos força na cena política mundial são precisamente os que mais sofrem os efeitos prejudiciais das crises económicas, em relação às quais têm muito pouca ou nenhuma responsabilidade”, lamentou.

O terrorismo internacional, a luta contra as alterações climáticas e o comércio livre são alguns dos temas da agenda da reunião do G20.