A NATO exige que a Rússia retire as suas tropas da Ucrânia e que ponha um fim à anexação da Crimeia. O anúncio foi feito depois do encontro dos 28 líderes dos estados-membros com o Presidente ucraniano Petro Poroshenko, em Newport, no Reino Unido.

«A Rússia está a atacar a Ucrânia. Apelamos à Rússia para que acabe com a anexação ilegal da Crimeia e para que retire as suas tropas da Ucrânia, terminando com o fluxo de armas, soldados e fundos para os separatistas», declarou o secretário-geral Anders Fog Rasmussen.

O presidente ucraniano também falou aos jornalistas, destacando que vai pedir um cessar-fogo esta sexta-feira, se for conseguido um acordo de paz, em Minsk, para acabar com o conflito.

«Precisamos de duas coisas para haver paz: que a Rússia retire as suas tropas e que feche a sua fronteira», afirmou.

A Casa Branca anunciou que Obama e os líderes da Alemanha, França, Inglaterra e Itália concordaram que a Rússia deve enfrentar «custos pesados» pelas suas ações.

O porta-voz norte-americano e responsável no departamento de segurança nacional Ben Rhodes indicou que novas sanções económicas contra a Rússia já estão a ser finalizadas.



A NATO acusa Moscovo de ter uma forte presença na zona controlada pelos separatistas, com centenas de tanques e veículos blindados que apoiam a luta dos rebeldes. Por sua vez, o Kremlin continua a negar as acusações.

A cimeira foi marcada pelo recente conflito no leste da Ucrânia, o mais sério do ocidente desde a queda do muro do Berlim há 25 anos e o colapso do bloco soviético, mas outros temas estiveram também na agenda do encontro, como o movimento do Estado Islâmico e o Afeganistão.

Rússia faz avisos sobre possível entrada da Ucrânia na NATO

Depois de Barak Obama ter afirmado, esta quarta-feira, que a NATO tinha uma «porta aberta» para a entrada da Ucrânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, sublinhou que esse é um passo que pode pôr seriamente em causa a segurança entre os países.

França e Alemanha também se opõem a esta hipótese, receando tensões com Moscovo que possam originar uma guerra.

Ucrânia reforça defesas em Mariupol

Entretanto, as tropas da Ucrânia reforçaram a sua presença no porto de Mariupol, no mar de Azov, antecipando um possível ataque dos separatistas, que estarão a avançar sobre a cidade com tanques e artilharia pesada.

Um soldado ucraniano afirmou, em declarações à Reuters, ter visto os rebeldes a caminho de Mariupol, uma cidade com cerca de 500 mil habitantes. Testemunhas ouviram dezenas de rebentamentos e nuvens de fumo a poucos quilómetros a este da cidade.