Os dados pessoais de líderes mundiais como Barack Obama, Vladimir Putin, Angela Merkel e David Cameron, que estiveram presentes na última cimeira do G20, em novembro de 2014, em Brisbane, foram acidentalmente divulgados pelo Departamento de Imigração da Austrália, que não considerou necessário informar esses mesmos líderes mundiais da violação de privacidade.

De acordo com o diário britânico «The Guardian», um funcionário do departamento enviou inadvertidamente, aos organizadores da Taça da Ásia de futebol, os números de passaporte, detalhes de vistos e outros dados pessoais, de todos os líderes presentes na cimeira do G20.

Para além do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, do Presidente russo, Vladimir Putin, da chanceler alemã, Angela Merkel, do primeiro-ministro britânico, David Cameron, também o Presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, o Presidente indonésio, Joko Widodo, estavam entre os que participaram na cimeira e cujos dados pessoais foram expostos.



Tudo começou a 7 de novembro de 2014. O diretor do serviço de vistos do Departamento de Imigração da Austrália contactou o gabinete da comissária australiana para a privacidade para informar sobre a violação de dados e procurar aconselhamento urgente.

O mesmo diretor atribuiu a «fuga de informação» a um funcionário do dito departamento que reencaminhou uma mensagem de correio eletrónico com informação sobre 31 líderes mundiais que haveriam de participar, a 15 e 16 de novembro, na cimeira do G20 em Brisbane, capital do Estado australiano de Queensland.

A mensagem, que continha ainda informação sobre os vistos que permitiriam a todas estas personalidades da política mundial entrar e permanecer em território australiano, foi enviada para o email de um dos organizadores da Taça da Ásia de futebol, que se disputou entre 9 e 31 de janeiro de 2015.

«As informações pessoais que foram violadas são o nome, a data de nascimento, o cargo, a nacionalidade, o número do passaporte, o número de concessão de visto, relativos a 31 líderes internacionais (isto é, primeiros-ministros, presidentes e equivalentes) que participaram na cimeira de líderes do G20», escreveu o diretor do serviço de vistos do Departamento de Imigração da Austrália

«A causa da violação dos dados foi erro humano. O funcionário em causa tinha a funcionalidade de autopreenchimento do seu Microsoft Outlook ligada e não se apercebeu, quando estava a inserir os destinatários que, afinal, esta seria enviada para quem não deveria recebê-la», explicou o mesmo responsável.


Do outro lado da linha deram logo pelo erro, alertaram o emissor e apagaram a mensagem.



Isto bastou para que o Departamento de Imigração não considerasse necessário avisar os líderes mundiais da violação dos dados pessoais. No email enviado para o gabinete da comissária australiana para a privacidade o diretor do serviço de vistos do Departamento de Imigração explicou porquê.

 «Dado que o risco de dispersão desta informação era muito baixo e as ações para limitá-la já tinham sido tomadas, considerei que não era necessário informá-los», afirmou.


Que se saiba, é a segunda vez que o Departamento de Imigração faz uma asneira. Em fevereiro de 2014, refere também o «The Guardian», publicaram no site oficial um ficheiro com dados de 10 mil pessoas, muitas das quais em busca de asilo.