O Presidente de Cuba, Raúl Castro, desresponsabilizou este sábado o homólogo norte-americano, Barack Obama, da política em relação a Cuba seguida pelos «10 Presidentes» que o antecederam.

«O Presidente Obama é um homem honesto», disse Raúl Castro, ao discursar na Cimeira das Américas, que reúne os líderes dos países do continente americano.


De acordo com a AFP, Raúl Castro pediu «a resolução» do embargo norte-americano à ilha e disse que consideraria um «passo positivo» uma «decisão rápida» sobre a retirada de Cuba da lista norte-americana de países que apoiam o terrorismo.

A VII cimeira das Américas, que termina na noite de sábado na Cidade do Panamá, ficará na História como aquela em que os líderes da região prometeram virar a página, pondo de lado o modelo do passado, e escrever um novo capítulo.

No início da Cimeira das Américas, Barack Obama disse que o tempo em que os Estados Unidos se intrometiam na política dos países latino-americanos acabou. 

 «O tempo em que os Estados Unidos interferiam livremente nos assuntos regionais acabou», declarou Obama, na primeira intervenção perante os parceiros continentais e das ilhas do Caribe, na sessão de abertura dos trabalhos.



Estava marcado o tom conciliatório, mas mesmo antes mesmo das palavras ficaram os atos: à chegada ao salão da conferência, repleto de chefes de Estado e de outros dignitários, o Presidente norte-americano procurou deliberadamente o congénere de Cuba, Raúl Castro. O aperto de mão, breve, entre os dois, encerrava todo o programa da cimeira.

De acordo com um porta-voz da Casa Branca, os dois líderes deverão reunir-se durante este fim de semana, naquela que será a primeira reunião entre um presidente norte-americano e um líder cubano em mais de cinco décadas de conflito.  

Antes da cimeira, o Presidente dos EUA reuniu-se na sexta-feira com dois dissidentes cubanos, num encontro à porta fechada que contou com a presença de uma dúzia de outros dissidentes do continente americano. Juntamente com os Presidentes da Costa Rica e do Uruguai, Obama reuniu-se com a advogada Laritza Diversent e o ativista político Manuel Cuesta Moura. 

Foi a 17 de dezembro que os presidentes dos dois países anunciaram o restabelecimento de relações diplomáticas. O momento considerado histórico foi marcado pela libertação e troca de prisioneiros.