Uma especialista forense terá consumido, durante oito anos, drogas que analisava para os departamentos de polícia de Massachusetts, nos Estados Unidos.

De acordo com os investigadores, citados pela Sky News esta quinta-feira, vários milhares de processos judiciais poderão ter sido adulterados.

Sonja Farak trabalhava para um laboratório de Amherst, em Massachusetts, que testava com regularidade drogas como metanfetaminas, cetamina, cocaína e LSD. Durante os oito anos em que colaborou com o laboratório, a criminalista terá usado algumas dessas drogas. Os investigadores acreditam que mesmo quando testemunhou em tribunal, a mulher estaria sob efeito de químicos.

[Esta suspeita] teve implicações em muitos casos, em dúvida”, disse a porta-voz da Procuradoria-Geral, Maura Healey, citada pela Sky News. “Estamos profundamente preocupados sempre que a integridade do sistema de justiça é posta em causa ou comprometida”, acrescentou.

A organização dos direitos civis American Civil Liberties Union of Massachusetts (ACLU) refere que 40 mil casos criminais analisados pelo laboratório poderão estar afetados pela má conduta de Sonja Farak.

O diretor jurídico da ACLU considera que todos os processos que passaram pelo laboratório devem ser examinados novamente.

A mulher admitiu ter ingerido algumas doses “padrão” do laboratório – amostras de medicamentos – usadas como pontos de referência para testar contra as substâncias apresentadas pela polícia.

Durante o julgamento, a cientista forense disse ainda ter fumado crack antes de perícias químicas, e também ter utilizado o laboratório para produzir drogas.

Farak, de 37 anos, declarou-se culpada na adulteração de provas, de ter roubado cocaína do laboratório e ainda pela posse ilegal de drogas. A mulher foi condenada a 18 meses de prisão, e entretanto já cumpriu a sentença.