Dois tiros, dois anos de prisão e uma relação a dois, tumultuosa, desfeita. Foi às duas da tarde, a 10 de julho de 1873, num quarto de hotel da rua des Brasseurs, em Bruxelas. Paul Verlaine tentou matar Arthur Rimbaud. Apenas o feriu. A arma do crime vai a leilão, em Paris, no próximo 30 de novembro.

O caso marcou a história da literatura francesa. Paul Verlaine tinha 29 anos. Rimbaud era onze mais novo. O primeiro teria intenções de se reconciliar com a sua mulher Mathilde, com quem casara em 1870.

Verlaine deixou Londres e viajou para Bruxelas. Rimbaud seguiu-o. A relação era já mais que conflituosa. Na manhã de 10 de julho, comprou um revólver de seis balas, calibre 7 milímetros e uma caixa de 50 balas num armeiro da cidade belga.

Ao início da tarde, no meio de mais uma discussão, Verlaine disparou. Dois tiros. Atingiu Rimbaud acima da articulação do pulso. A outra bala bateu na parede e fez ricochete para a lareira.

Toma! Vou ensinar-te a querer partir", terão sido as palavras de Paul Verlaine antes de disparar, segundo relatou depois Rimbaud à polícia.

Polícia e prisão

Já depois de ter estado no hospital, Verlaine terá voltado a ameaçar Rimbaud. Em plena rua. Este chamou a polícia que deteve o seu amante. Foi julgado e condenado a dois anos de prisão, em agosto de 1873. A arma foi apreendida e devolvida posteriormente ao armeiro Montigny, que manteve o negócio aberto até 1981.

Quando as portas fecharam, o atual proprietário da loja ficou com a arma e decidiu vendê-la. Vai a leilão no último dia de novembro. A leiloeira Christie's espera arrecadar entre 50 mil a 60 mil euros com o revólver.

Paul Verlaine, poeta associado ao Simbolismo, morreu em 1896. Arthur Rimbaud, tido como um dos precursores do Surrealismo, desapareceu cinco anos antes.

Depois do episódio entre ambos, reencontraram-se apenas uma vez. Na Alemanha, em Estugarda, em 1875, onde Rimbaud lhe entregou o manuscrito do seu livro "Iluminações". Já os dois anos de cárcere, permitiram a Verlaine escrever os 32 poemas de "Celularmente".