O caso da modelo britânica que diz ter sido sequestrada em Itália continua a dar que falar. Depois de terem surgido relatos de que Chloe Ayling foi vista a comprar sapatos com o alegado sequestrador, os representantes da jovem vieram a público garantir que a história é "real" e "assustadora".

A Associated Press obteve documentos judiciais que indicam que Ayling foi vista às compras com o alegado raptor,Lukasz Pawel Herba, durante os dias em que disse ter estado em cativeiro.

O relato desta testemunha, uma comerciante, levou a modelo a alterar a sua versão dos factos, num segundo interrogatório. Inicialmente, Ayling disse à polícia de Milão que foi mantida em cativeiro durante seis dias, com as mãos e os pés atados a uma cómoda.

Mas depois, as autoridades confrontaram a jovem com o relato da comerciante e Ayling confirmou a ida às compras. A modelo afirmou à polícia que não tinha uma “explicação razoável” para justificar ter omitido essa saída, garantindo que apenas acompanhou o homem por considerar que a sua liberdade dependia disso.

Ora, estas informações depressa foram divulgadas pelos órgãos de comunicação italianos e levaram a que os representantes da jovem viessem a público garantir a veracidade da história, que tem contornos de filme. Recorde-se que a modelo diz que foi drogada, transportada num saco de plástico e mantida em cativeiro com as mãos e os pés atados durante seis dias.

O advogado de Ayling, Francesco Pesce, disse que é “cruel” sugerir a hipótese de a modelo ter estado envolvida em algum esquema. Pesce acrescentou que a jovem foi ameaçada de morte e decidiu que era melhor colaborar com o raptor. Já o seu agente, Phil Green, sublinhou que a história foi "real e assustadora para todos os envolvidos”

O alegado raptor, que já foi detido pela polícia, Lukasz Pawel Herba, também já foi interrogado pelas autoridades. O homem, de nacionalidade polaca, disse que sofre de leucemia e queria ganhar dinheiro para conseguir pagar o tratamento. Por isso, aceitou trabalhar para um grupo de romenos que lhe pagaram cerca de 500.000 libras, cerca de 550.000 euros, para passar por fotógrafo. Herba afirmou ainda que desistiu do esquema quando percebeu que o grupo queria raptar a jovem.

Segundo os investigadores italianos, a organização por detrás do sequestro chama-se “Black Death”. O grupo estaria a tentar vender a jovem como escrava sexual na dark web para o Médio Oriente. Esta quarta-feira, surgiram imagens do alegado anúncio.