Milão, Itália, o verão ficou marcado pela história de Chloe Ayling, uma pouco conhecida modelo inglesa de 20 anos, que teria sido sequestrada por dois homens, que a drogaram e tencionavam vender num leilão na internet. A polícia acabou com o enredo e deteve um dos indivíduos. O seu irmão, tido como cúmplice, continua em Londres, onde está a ser avaliado o pedido de extradição pedido pela justiça italiana.

Com audição em curso - sendo de esperar que o tribunal de Westminster decida a extradição na próxima sexta-feira - o advogado de Michal Konrad Herba, de 36 anos, argumenta que todo o caso não passou de uma encenação.

O irmão de Michal, Lukasz Pawel Herba, ambos de origem polaca, continua detido em Itália. Em julho, aquando da detenção e suposta libertação da modelo, terá dito que sofria de leucemia e que queria ganhar dinheiro para conseguir pagar o tratamento.

Por isso, teria aceitado trabalhar para um grupo de romenos que lhe pagaram cerca de 500 mil libras, cerca de 550 mil euros, para passar por fotógrafo. Herba afirmou ainda que desistiu do esquema quando percebeu que o grupo queria raptar a jovem.

Já a modelo Chloe, agradeceu às polícias italiana e inglesa, e contou a sua versão, de que teria sido atraída a Milão para uma sessão fotográfica, acabando raptada. Só não explicou porque foi comprar sapatos e chegou a tomar o pequeno-almoço com um dos alegados sequestradores.

Risco de caso ser uma farsa

No tribunal, em Londres, na sessão desta segunda-feira, o advogado de Michal Herba - que, tal como o irmão, também está detido - defendeu haver "um sério risco de que todo o caso seja uma farsa".

A mesma queixosa, ao que parece, conseguiu publicidade pelo facto de estar perto de um ataque terrorista nos Campos Elísios de Paris", afirmou o advogado George Hepburne Scott, referindo-se ao que se passou em Paris, no passado mês de abril.

O advogado lembrou ainda que, antes mesmo da libertação de Chloe Ayling, "o raptor terá enviado um comunicado a um jornal tablóide, afirmando que a senhora ia ser leiloada".

Depois, é sabido que a jovem modelo foi vista com o suposto raptor a tomar o pequeno-almoço e a comprar sapatos em Milão, situações "totalmente anómalas num caso de reféns".

Este caso tem um conjunto único de anomalias que podem levar à conclusão de que as autoridades italianas foram enganadas e que o seu processo foi corrompido", argumenta o advogado, que tenta impedir a extradição do irmão Herba para Itália, acrescentando ainda que ele está prestes a ser pai e a saída do país irá dividir uma família.