A lista de abusos físicos e psicológicos a que os detidos chineses são sujeitos pela polícia durante os interrogatórios é longa e brutal, mesmo após a adoção de regulamentos para o impedir, denuncia a Human Rights Watch.

As conclusões da organização de defesa dos direitos humanos foram apresentadas, esta quarta-feira, em Hong Kong e são fruto da análise a 158.000 vereditos de tribunais chineses entre 01 de janeiro e 30 de abril de 2014 - entre estes há referências ao recurso à tortura policial em 432, a maioria (67) na província de Guangdong, apesar de apenas em 23 casos as provas obtidas por este método terem sido consideradas inadmissíveis.

A Human Rights Watch (HRW) entrevistou também 48 detidos, familiares, advogados e antigos dirigentes.

Segundo a Associated Press, o relatório acusa a polícia de contornar as regras, ao torturar os detidos fora de instalações oficiais, usando métodos que não deixam marcas no corpo, e gravando as confissões somente mais tarde.

A culpa é apontada ao sistema jurídico chinês, que ainda se baseia muito nas confissões para condenar.

“A confissão ainda é muito valorizada, e é obtida em quase todos os casos. Não há nada que, realmente, condene um polícia que use tortura ou coerção”, disse Maya Wang, investigadora da Human Rights Watch.


Na China os detidos não têm direito a ter um advogado presente durante os interrogatórios, e os juízes costumam ignorar os sinais de maus-tratos, indica o relatório.

Alguns dos entrevistados, ex-condenados, denunciam abusos como privação do sono, agressões com bastões e que eram pendurados pelos pulsos.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, já respondeu ao relatório, e garante que estas práticas são proibidas na China e que o país está a esforçar-se “para melhorar a garantia dos direitos humanos no sistema judiciário”.