Mais de metade da sua vida foi passada na prisão. Miao Deshun tinha 25 anos quando participou nos protestos contra o regime chinês. Foi agora, 27 anos depois, libertado. Pensa-se que era o último preso da revolta de Tiananmen.

A notícia foi divulgada por uma agência de informação chinesa com sede nos Estados Unidos. Miao era um operário fabril e foi acusado de ter atirado um cesto contra um tanque em chamas.

Por ser considerada uma infração menos grave, a sua sentença de morte, ao contrário de muitos outros ativistas, foi atenuada para prisão perpétua. Mais tarde, esperava-se que pudesse ser libertado, mas não antes de 15 de setembro de 2018. Terá saído agora da cadeia.

A detenção de Miao ocorreu na noite 3 para 4 de junho de 1989, a data em que o exército chinês esmagou os milhares de manifestantes que ocupavam, há meses, a praça de Tiananmen.

Num relatório oficial no final de junho de 1989, o governo de chinês reconheceu que mais de três mil civis tinham sido feridos e que mais de 200, incluindo 36 estudantes, tinham morrido. Admite-se, contudo, que o número de mortos poderá ter chegado aos milhares.