Uma investigação das autoridades chinesas à farmacêutica Changsheng Biotech, suspeita de ter adulterado vacinas, confirmou que a empresa falsificou dados e usou materiais com validade expirada na produção, anunciou a agência de notícias oficial chinesa.

A investigação, anunciada na sexta-feira e efetuada por uma equipa do Conselho de Estado [Executivo] chinês, determinou que para reduzir custos e melhorar a produção a empresa usou fluido com validade expirada na produção de alguns produtos, falsificou dados de fabrico e realizou testes irregulares, entre outras práticas ilegais, afirmou a Xinhua.

Os responsáveis da farmacêutica tentaram destruir 60 discos rígidos com dados da empresa para eliminar provas, mas a polícia conseguiu recuperar o material informático, indicaram os investigadores.

As autoridades detiveram já 16 dirigentes Changsheng Biotech, incluindo a presidente da companhia Gao Junfang.

De acordo com o relatório preliminar, a farmacêutica inventou "de forma sistemática" registou de produção e inspeção, falsificou faturas com datas incorretas para cumprir as exigências dos inspetores.

O regulador chinês ordenou a suspensão da produção, na sequência de uma inspeção inicial, realizada entre 6 e 8 de julho, na qual foram detetadas irregularidades, denunciadas por um funcionário anónimo nas redes sociais chinesas. O artigo foi posteriormente censurado, mas desencadeou grande polémica.

A Changsheng Biotech terá falsificado dados relativos a 113 mil vacinas liofilizadas contra a raiva em humanos, embora o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China tenha estimado só terem sido afetados dois em cada 100 mil inoculados em todo o país. Até agora, não se registaram reações adversas às vacinas.

Já em outubro passado, a firma tinha sido investigada por outras 250 mil vacinas contra a difteria, tosse convulsa e tétano terem mostrado pouca eficácia.

As suspeitas sobre a farmacêutica voltaram a afetar todo o setor sanitário chinês, frequentemente acusado pelos doentes de preferir os lucros económicos à saúde da população.

O Presidente chinês, Xi Jinping, repudiou de imediato as práticas "odiosas e chocantes" da empresa e exigiu uma investigação profunda do caso, para tentar recuperar a confiança da opinião pública.

Embora em muitos países, a raiva esteja erradicada, na China foram registados 516 casos, apesar da incidência da doença tenha diminuído gradualmente ao longo dos anos.