Há cerca de quatro décadas, um homem teve um sonho: transformar uma aldeia pobre, cujos habitantes eram na sua maioria agricultores, numa comunidade rica. Em 2016, o sonho é uma realidade.

Com cerca de 2.000 pessoas em casas luxuosas, todos beneficiam de habitação gratuita, bem como acesso à educação. Em troca, todos têm uma semana de trabalho sem pausas e não podem falar da aldeia à comunicação social.

O homem responsável pela transformação foi Wu Renbao, o ex-secretário local do Partido Comunista chinês, falecido em março de 2013. Com uma série de reformas económicas, conseguiu mudar radicalmente a trajetória de crescimento da pacata Huaxi. O maior desejo de Renbao era "fazer com que as pessoas pobres" tivessem "uma vida boa." Acreditava que "os comunistas devem procurar a felicidade para a maioria das pessoas”.

Fontes oficiais afirmam que Renbao criou 12 empresas coletivas de vários setores, desde a indústria têxtil à produção de aço, que atualmente exportam para 40 países. Os lucros destas empresas são usados para pagar, de forma igual, as vidas de luxo aos trabalhadores - os salários propriamente ditos são baixos - concretizando a partilha de riqueza, como mandam os ideais comunistas, recompensando o trabalho árduo.

Segundo a agência chinesa Xinhua, em 1963 a população de Huaxi não chegava aos 1.000 habitantes, que produziam cerca de 25.000 yuans (cerca de 3.600 euros atualmente), em 2013 a produção rendia 58.300 milhões de yuans (7.572 milhões de euros).

A aldeia é reconhecida pela riqueza, mas também pelo lado misterioso, pois muitos acreditam que nem todos beneficiam destes lucros e que os mesmos não pertencem aos habitantes e trabalhadores. Muitos dos empregados não têm visto de residência e, por isso, não podem beneficiar das regalias dos locais.

Um jornalista do britânico Independent, visitou a aldeia e o luxuoso prédio com 328 metros de altura - um dos mais altos da China - que ali foi construído. Na sua reportagem, destaca um elemento "bizarro" que ali encontrou: um boi quase em tamanho real, completamente em ouro maciço, que evidencia a riqueza que, entretanto, passou a ser reconhecida por todos.

 

Clifford Coonan escreveu, em 2012, que a aldeia pode ser comparada a um "pequeno Dubai".

Um advogado, citado pelo Business Insider, chegou a denunciar que aqueles que deixaram a aldeia foram privados das suas riquezas, para as quais trabalharam, devido a represálias sofridas por criticarem Wu.

É difícil dizer se o modelo de Huaxi fez realmente todas as pessoas ricas, porque as informações são limitadas”, disse Yuan Yulai do escritório de advocacia Zhixing Zhejiang.

O advogado defendia que, mesmo que os habitantes sejam ricos, esta riqueza não pode ser levada para fora da aldeia.