As autoridades chinesas confiscaram quase 12 toneladas de escamas de pangolim, informou hoje a imprensa estatal, na maior apreensão de sempre na China de partes deste animal em risco de extinção.

O pangolim é o mamífero mais contrabandeado do mundo, com cerca de um milhão de espécimes capturadas nos últimos 10 anos, nas florestas da Ásia e África. A caça ilegal é estimulada pelo aumento da procura pela sua carne e partes do corpo.

O jornal oficial em língua inglesa China Daily noticiou hoje que a mais recente apreensão no país ocorreu em julho passado, no porto da cidade de Shenzhen, sul do país.

Segundo o jornal, as escamas eram oriundas de entre 20.000 a 30.000 pangolins, tendo sido "a maior apreensão alguma vez feita pelas alfandegas chinesas" de partes deste animal.

Dois suspeitos foram presos.

As escamas vinham em sacos, junto com carvão, para ocultar a mercadoria.

As autoridades detetaram transações no valor de 5 milhões de yuans (640.000 euros) entre os suspeitos.

O pangolim, que tem a língua mais longa do que o seu corpo e se alimenta de formigas e térmitas, é protegido desde setembro de 2016, pela Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas de Extinção, da qual a China é signatária.

Em algumas regiões do país asiático, o uso da carne do pangolim é popular entre jovens mães, pelos seus alegados efeitos benéficos para o leite materno, enquanto as suas escamas são usadas em farmacopeia tradicional.

Comer ou vender espécies em extinção é punível na China com até 10 anos de prisão.

Em setembro, o ator chinês Jackie Chan apareceu num vídeo, feito em colaboração com uma organização chinesa de defesa da fauna selvagem, onde apela aos seus compatriotas que digam "não" ao consumo, uso e compra de produtos de pangolim.