Mais de dois mil estudantes chineses foram apanhados, durante a realização de um exame nacional, a utilizarem dispositivos de alta tecnologia para conseguirem passar no exame que lhes dá a licença de farmacêutico.

 

O incidente ocorreu nos dias 18 e 19 de outubro, quando mais de 25 mil estudantes fizeram o exame para se tornarem farmacêuticos. O teste foi realizado em sete locais separados e, no total, foram apanhados 2 440 estudantes a fazer batota.

 

Os meios de comunicação chineses disseram, no domingo, que os vigilantes detetaram sinais de rádio anormais que estavam a ser usados ​​para transmitir as respostas em código para os candidatos, que usavam dispositivos wireless no ouvido, através dos quais as respostas foram transmitidas.

 

Os organizadores do esquema fraudulento enviaram candidatos falsos para realizar o exame, que saíram rapidamente após memorizarem as perguntas e depois transmitiram as respostas corretas aos candidatos, que pagaram 330 dólares pelo serviço.

 

«É o pior escândalo dos últimos anos», disse Du Fangshuai, diretor do departamento de exames de Shaanxi. «No total, apanhámos 2 440 candidatos, em sete centros de teste. Num centro estavam 700 candidatos a fazer batota no exame», acrescentou.

 

Aqueles que são apanhados a aldrabar no exame nacional são proibidos de realizarem novamente o exame por um período de dois anos, explicou Du Fangshuai.

 

Jiang Xueqin, um consultor de educação com sede em Pequim, disse que os elevados padrões da China e o sistema educacional direcionado aos exames levaram a uma cultura de batota.

 

«A maioria dos exemplos não são tão flagrantes ou tão gritantes como este, mas a batota é generalizada, pois o objetivo é conseguir o certificado e não as habilidades que são necessárias no local de trabalho», explicou Xuegin.

 

O South China Morning Post informou que o número de alunos apanhados a fazer batota era de um em cada 10 estudantes, dos 25 mil que realizaram o exame em Shaanxi.

 

O South China Morning Post disse que Shaanxi, atualmente, tem uma escassez de farmacêuticos e que o teste - sete exames separados de 180 minutos - era incrivelmente competitivo.

 

Os centros de teste, onde se realizaram os exames para entrar nas universidades notoriamente competitivas da China, utilizam detetores de metal para evitar o uso de dispositivos, com mecanismos de segurança, muitas vezes mais apertados do que nos aeroportos, acrescentou o consultor.