Um francês detido na Bulgária no passado dia 01 por tentar chegar à Síria é suspeito de ligações a um dos autores do atentado de 07 de janeiro contra o jornal satírico Charlie Hebdo, informou esta terça-feira a justiça búlgara.

O mandado de detenção emitido pela França para Fritz-Joly Joachin menciona a acusação de «participação em grupo criminoso armado cujo objetivo é a organização de atos terroristas», declarou Darina Slavova, procuradora geral de Haskovo (sul), à agência France Presse.

«Antes da sua partida a 30 de dezembro para a Turquia, ele esteve várias vezes em contacto com um dos dois irmãos. Chérif Kouachi», precisa o mandado.

Chérif e Said Kouachi mataram 12 pessoas no ataque ao semanário satírico Charlie Hebdo, no centro de Paris, no dia 07, tendo sido mortos pela polícia dois dias depois.

O diário flamengo Het Laatste Nieuws indica hoje na sua edição digital que as armas usadas pelos irmãos no atentado foram compradas juntamente com outras por menos de 5.000 euros perto da estação de Midi em Bruxelas.

Investigadores franceses e belgas estão convencidos de que os irmãos Kouachi obtiveram as armas através de Amedy Coulibaly, o autor do atentado contra o supermercado de comida judaica de Paris, onde foram assassinados quatro reféns.

Fritz-Joly Joachin, de 29 anos e origem haitiana, foi interpelado com o seu filho a 01 de janeiro, quando tentava passar de autocarro a fronteira búlgaro-turca.

A procuradoria de Haskovo disse inicialmente que ele era alvo de um mandado de detenção europeu, depois da mulher o ter acusado de rapto do filho de três anos para se juntar aos jihadistas na Síria e o educar de acordo com os princípios do islão radical. A criança já foi entregue à mãe.

O suspeito, que afirmou que viajava com o seu filho e a namorada para passar férias em Istambul, concordou na segunda-feira com o princípio da extradição, sobre a qual a justiça búlgara deve tomar uma decisão na sexta-feira.