Alexis Tsipras está nas bocas do mundo. Lidera o Governo grego e há meses que tenta um acordo para aguentar o seu país, sem o levar à bancarrota e sem ter mais austeridade a pesar sobre os mais fracos. O seu percurso e os seus ideiais têm sido muito escrutinados desde que chegou à liderança do Syriza. Já sabíamos que é o homem que olha para o retrato de Che Guevara todos os dias. Não sabíamos que o levou ao peito para uma manifestação violenta contra o G8, em Itália, onde até chegou a levar com um cassetete. Esse episódio só agora foi conhecido. 

Foi em 2001. Tsipras estava no meio de um grupo com cerca de 1.000 'radicais' gregos que tiveram como objetivo perturbar a reunião do GO, em Génova, que ia decorrer.

Tinha, então, 26 anos. Não só vê camaradas seus serem retirados à força pela polícia, como ele próprio acabou por ser um alvo. 

Tasos Koronakis, que atualmente é secretário-geral da Syriza, chegou a dizer que as raízes do partido foram semeadas naquele dia. O agora primeiro-ministro grego estava a seu lado: "Alexis levou algum cassetete", recorda. 

Tsipras estava entre os 135 alegados cabecilhas do movimento ligados à esquerda radical, que queriam bloquear a partida do ferry com a cúpula do G8.

Um dos manifestantes, com 23 anos, foi morto a tiro quando tentava atacar a polícia com um extintor de incêndio. Um episódio que fez explodir os ânimos naquele dia. 

Houve centenas de detenções e feridos entre os civis. Nesses confrontos, que mobilizaram, no total, cerca de 100 mil manifestantes, três políticas também ficaram feridos. 

Alexis Tsipras tornou-se o rosto do cansaço da austeridade e conquistou sobretudo o voto dos mais jovens, preocupados com os cortes na saúde e na educação, nos salários e nas pensões, e no aumento do desemprego e das falências. A geração que viu os partidos tradicionais falharem acredita que, afinal, há alternativa.

O "braço de ferro" com a União Europeia e FMI tem complicado a vida - e a governação - ao governo Syriza, desde que ganhou as eleições no final de janeiro deste ano. Estamos no final de junho e, esta semana, finalmente, parece haver uma  luz ao fundo do túnel