O ex-diretor dos serviços secretos dos Estados Unidos (CIA), John Brennan (2013-2017), disse na quarta-feira que o presidente Donald Trump vai causar “danos duradouros” à sociedade norte-americana e à posição do país no mundo.

Brennan referia-se à reação de Trump aos acontecimentos em Charlottesville, no sábado, onde um neonazi investiu com o seu carro contra uma manifestação antirracista, matando uma mulher e ferindo duas dezenas de pessoas.

O presidente responsabilizou “os dois lados” e sublinhou que os grupos de esquerda também atacaram os de extrema direita.

Esta não é a primeira vez que o antigo diretor da CIA faz declarações polémicas sobre casos que envolvem o presidente dos Estados Unidos. Em maio, Brennan foi ao congresso dizer que começou a suspeitar da ingerência russa em 2016. Foi a primeira vez que alou sobre o assunto em público, mas o timing não podia ser pior (ou melhor).

Na ocasião o ex diretor da CIA disse ter tido “conhecimento de informação que revelou a existência de contactos e interações entre responsáveis russos e pessoas norte-americanas envolvidas na campanha de Trump”, o que o preocupou porque "sabia que a Rússia já tentara subornar esses indivíduos.”

Mas o responsável não foi mais longe, argumentado que a investigação estava a decorrer. A investigação centra-se em Michael Flynn, o seu ex-conselheiro de segurança nacional; em Paul Manafort, que foi responsável pela campanha de Trump; e em Roger Stone, que fez parte da vasta equipa de pessoas que foram aconselhando Trump durante a campanha.

Posteriormente ex-diretor do FBI, James Comey, acusou Trump de mentir. Numa audição do senado norte-americano, Comey disse que o presidente o difamou a ele e ao FBI. O antigo responsável máximo da agência diz que Trump lhe deu a entender que queria que parasse a investigação a Michael Flynn suspeito de ter ligações com russos.