O primeiro-ministro francês prometeu e está a cumprir. No rescaldo dos ataques de Paris reivindicados por simpatizantes do Estado Islâmico, Manuel Valls declarou «guerra ao terrorismo», com reforço de meios humanos e monetários, um investimento na segurança do país da «liberdade e da fraternidade», mas onde, admitiu, existem três mil pessoas suspeitas de ligações ao jihadismo. 
 
Passado praticamente um mês do massacre ao jornal que satirizou o profeta Maomé - o «Charlie Habdo» -, e do sequestro no supermercado judaico, as autoridades, na sua ação antiterrorista, anunciaram que foram identificados 64 locais nos subúrbios das maiores cidades francesas que podem ser verdadeiros barris de pólvora propensos à radicalização islâmica- os «guetos». Segundo a Sky, Manuel Valls reconhece existir um «apartheid geográfico, social e étnico».
 
A França tem que assumir que o problema é muito mais abrangente e exige olhar para outros números, como, por exemplo, o desemprego que ultrapassa os 40 por cento dos jovens nestes bairros. No que respeita aos valores sociais, muitas destas famílias são desestruturadas e monoparentais. 
 
Destes 64 locais, a task force do Ministério do Interior isolou 15 como aquelas que potencialmente são mais perigosas e reforçou a segurança nessas zonas.
 
As autoridades reconhecem que «há uma pequena linha que separa o terrorismo do crime. Muitos dos jihadistas são recrutados nas prisões e, se és um terrorista e antigo criminoso, então sabes onde obter armas», explica o chefe da Gendarmerie, Gael Marchand. 
 
A França luta, portanto, em todas as frentes. Incluindo na Internet, onde lançou uma campanha contra o Estado Islâmico dirigida aos jovens.