É a mulher mais procurada de França. Hayat Boumeddiene, suspeita do atentado de Montrouge, em Paris, esta quinta-feira, que provocou a morte a uma polícia, está em fuga e é descrita pelas autoridades francesas como perigosa e fortemente armada. 

As últimas informações indicam que Hayat já terá abandonado França há algum tempo, segundo avança a imprensa francesa.  

Mas a companheira de Amedy Coulibaly, o terrorista que esteve envolvido em dois ataques, o de Montrouge e o sequestro num supermercado em Porte de Vincennes, esta sexta-feira, nem sempre teve este perfil. Pelo contrário, Boumeddiene já foi uma rapariga pacata dos subúrbios de Paris.

De acordo com a imprensa francesa, que revela agora a metamorfose desta descendente de argelinos, foi apenas quando conheceu Coulibaly que a suspeita abraçou o véu e se tornou devota à fé islâmica.

Nascida no seio de uma família numerosa, é a mais nova de oito irmãos. A mãe morreu quando tinha apenas seis anos e, segundo o «Le Parisien», como não tinha qualquer ligação afetiva com o pai, terá saído de casa e acabado por ser acolhida pelos serviços sociais franceses.

Apesar deste contexto familiar, tinha um emprego comum nas caixas de uma loja comercial e nada fazia prever que se tornasse extremista.
  Boumeddiene teve de esperar quatro anos para casar com o terrorista já abatido pelas autoridades, a pena de prisão decretada a Coulibaly por assalto à mão armada. Os dois casaram-se em julho de 2009, mas apenas pela via religiosa. Uma cerimónia onde não terá participado porque, como contou à polícia quando questionada pelas autoridades, «no Islamismo, a mulher não é obrigada a estar presente [no casamento]».

Cercos em Paris: as caras do crime (infografia)

A jihadista foi questionada pelas autoridades pelo menos por duas vezes, escreve o «Le Monde», em 2009 e em 2010, quando as autoridades investigavam as suspeitas de ligações de Coulibaly com extremistas islâmicos.

Num desses interrogatórios, contou que o marido a inspirava a ler livros sobre religiões e até terá confessado a sua opinião em relação ao terrorismo.

«Quando vejo massacres de inocentes na Palestina, no Iraque, na Tchetchênia, no Afeganistão ou em qualquer outro lado para onde os americanos enviam bombas… enfim, quem são os terroristas?», questionou.


A jovem também confessou ter visitado, com Coulibaly e Cherif Kouachi - um dos autores do atentado ao «Charlie Hebdo»-,  Djamel Beghak, membro do movimento radical Takfir e em prisão domiciliária em Cantal. No entanto, a jovem alegou que apenas o visitaram porque queriam fazer tiro com besta.

«Vi-o apenas uma vez, por trás. Fiz-lhe algumas perguntas sobre religião, mas só quando estávamos em quartos diferentes [...]. Para mim, não faz sentido ter um encontro com um homem na mesma sala».

Apesar da investigação das autoridades francesas e destes interrogatórios, as declarações de Boumeddiene não terão sido o suficiente para apurar as convicções radicais desta jovem.

Uma análise aos registos telefónicos divulgada pelo «Le Monde» mostra agora que, só no ano passado,  Boumeddiene e Izzana Hamyd, mulher de Chérif Kouachi, fizeram mais de 500 chamadas telefónicas.

Boumeddiene e Coulibaly viviam em Bagneux e eram vistos pelos vizinhos como pessoas muito religiosas, apesar dos problemas do terrorista com a polícia. Há um mês, no entanto, desapareceram da casa onde viviam.

Entretanto questionado pela polícia em Nanterre, subúrbios de Paris, o pai da mulher mais procurada de França disse estar em choque com o envolvimento da filha numa célula terrorista.