São pelo menos quatro os suspeitos dos ataques terroristas que têm acontecido em Paris, esta semana:  Chérif Kouachi, Said Kouachi, Amedy Coulibaly, Hayat Boumeddiene.

Os dois primeiros são irmãos e terão sido eles os atiradores do ataque que matou 12 pessoas na redação do jornal francês «Charlie Hebdo» na quarta-feira.

Estará ainda ligado ao crime um terceiro elemento (inicialmente um jovem de 18 anos, Hamyd Mourad, entregou-se às autoridades), mas que a imprensa internacional julga agora que possa ser Amedy Coulibaly, ligado ao homicídio de uma polícia, um dia depois, quinta-feira, em Montrouge. Um crime alegadamente praticado com a sua antiga companheiraHayat Boumeddiene, a única mulher procurada pela polícia.

Será também Coulibaly, embora ainda não esteja confirmado, o homem que fez seis reféns num supermercado, em Paris, entretanto libertados.

Em duas mega operações realizadas na capital francesa, os irmãos Kouchi terão sido mortos pela polícia pouco depois das 16:00 (17:00 em Paris), bem como o homem barricado no supermercado.


 

QUEM SÃO OS IRMÃOS KOUACHI?


Têm nacionalidade francesa e já estavam referenciados como jihadistas pelos Serviços Secretos franceses. Segundo o «Libération», foram abandonados pelos pais, de origem argelina, quando eram crianças. Cresceram na cidade de Rennes mas, mais tarde, mudaram-se para Paris. 

As informações da Associated Press dão conta de que Chérif Kouachi já foi condenado a três anos de prisão, 18 meses dos quais de pena suspensa (ano e meio, portanto) por acusações relacionadas com terrorismo. 

Na altura, em 2008, foi condenado por ter ajudado combatentes rebeldes do Iraque. Chérif confessou-se revoltado com a tortura a que os prisioneiros iraquianos eram sujeitos na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdade, pelos soldados norte-americanos.  Ao tribunal, mostrou-se convicto, ao dizer que «realmente acreditava na ideia» de lutar contra a coligação liderada pelos EUA no Iraque. Foi preso antes de viajar à Síria, como tinha planeado, para integrar treinos militares. 

Três anos antes, em 2005, já tinha sido preso, quando se preparava para voar precisamente para esse país e, depois, para o Iraque. Vivia no 19º bairro de Paris, no setor iraquiano, onde alegadamente é realizado recrutamento de jihadistas. 

Mais recentemente, em 2010, e segundo o «Le Monde», o seu nome também foi mencionado quando houve uma tentativa de fuga da prisão do ex-membro do Grupo Islâmico Armado argelino. 


QUEM É HAMYD MOURAD?

JO papel do jovem que se entregou à polícia ainda não é claro, uma vez que nas imagens que foram divulgadas ao longo do dia só se viam dois suspeitos. Segundo o jornal francês «Le Monde», o jovem será da família da esposa de Chérif Kouachi, ainda em fuga com o irmão mais velho Said. 

Em França, a hashtag #MouradHamydInnocent está a ser utilizada como parte de uma campanha dos alegados conhecidos deste suspeito para denunciar a sua inocência. 

Vários jovens têm escrito que Hamyd estava nas aulas quando o ataque ocorreu. Esta informação não é oficial nem foi confirmada por nenhuma fonte. 
 

QUEM É AMEDY COULIBALY?


Tem 32 anos de acordo com relatórios anti-terroristas, tem ligações com Chérif Kouachi, um dos presumíveis autores do atentado no «Charlie Hebdo». É apontado, agora, como o terceiro homem responsável por esse ataque (recorde-se que, inicialmente, um jovem de 18 anos entregou-se às autoridades depois de ter visto o seu nome circular nas redes sociais como sendo o terceiro elemento). 

Segundo a TF1, Coulibaly poderá ser o atirador que matou a mulher polícia na quinta-feira e, igualmente, o autor do tiroteio de Porte de Vincennes. 

O suposto assassino foi condenado, em 2010, por tentar colaborar na tentativa de fuga de um jihadista, Smain Ait Ali Belkacem, o homem que foi condenado a prisão por ter bombardeado a estação de metro de Orsay, também em Paris, em outubro de 1995. Um ataque que causou 30 feridos, na altura. Durante as buscas que ocorreram na casa, a esse propósito, foram encontrados 240 cartuchos calibre 7.62 e uma Kalashnikov.  

O seu historial de crimes vem desde os tempos em que ainda era menor de idade. Ele, que terá nove irmãos, foi repetidamente condenado por assalto à mão a partir de 2001, sendo que, em 2004, foi condenado a seis anos de prisão. Quando saiu, andou nos meandros da droga, tendo sido condenado a ano e meio de prisão por tráfico de estupefacientes. Tinha então 24 anos. Depois disso, alegadamente sossegou. Até teve um contrato de profissionalização com a Coca-Cola, na sua terra natal (Grigny). E conheceu o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, em 2009. 

Amedy apareceu numa reportagem do «Le Parisien», a propósito da visita de Sarkozy a empresas que empregam jovens. Na altura, o agora suspeito dos tiroteios em França, foi um dos jovens entrevistados pela publicação francesa, tendo merecido destaque em título. Na reportagem, disse que estava «realmente agradado» por conhecer o Presidente francês e tinha a expectativa de que Sarkozy o ajudasse «a conseguir um emprego». Admitiu que o chefe de Estado não era «muito popular entre os jovens», mas que isso não era nada de «pessoal». Acontecia com «a maioria dos políticos».   

Coulibaly é apontado, ainda, como um dos principais discípulos de Djamel Beghal, já condenado  por terrorismo. De acordo com a AFP, que cita pessoas familiarizadas com o assunto, Coulibaly e Chérif Kouachi foram vistos juntos em 2010, precisamente quando visitaram esse líder do islamismo radical francês.  


QUEM É HAYAT BOUMEDDIENE?

De acordo com o jornal «Le Monde», a jovem é a antiga companheira de Amedy Coulibaly.