Os pais de Charlie Gard, o bebé inglês a quem foi diagnosticado uma doença rara que lhe provocou danos cerebrais irreversíveis, receberam esta terça-feira uma última esperança: os juízes do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiram prolongar por mais seis dias, ou seja até à próxima segunda-feira, o período em que a criança deve ser mantida ligada às máquinas.

Charlie Gard, atualmente com dez meses, nasceu saudável a 4 de agosto de 2016, mas dois meses depois teve de ser internado por causa de uma pneumonia. Foi então diagnosticado com Síndrome de Depleção Mitocondrial.

Desde então, os pais de Charlie lutaram em tribunal no Reino Unido pelo direito de manterem vivo o filho, de modo a poderem levá-lo para os Estados Unidos da América onde seria submetido a um tratamento experimental, mas perderam a causa. A 12 de abril, o Alto Tribunal de Justiça, uma das mais altas instâncias do país, decretou que o hospital onde o bebé está internado podia "legalmente retirar todos os tratamentos, exceto os paliativos” para permitir que Charlie “morresse com dignidade". Ou seja: o hospital foi autorizado a desligar as máquinas.

Depois de perderem na justiça britânica, os pais de Charlie, Chris Gard e Connie Yates, viraram-se para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos

A semana passada, o tribunal europeu determinou que Charlie Gard deveria ser mantido em suporte de vida até à meia-noite desta terça-feira para dar aos juízes a oportunidade de considerarem o que se deve ou não fazer neste caso. Esta terça-feira, o mesmo tribunal decidiu que esse período deve ser prolongado por mais seis dias, até à meia-noite de 19 de junho, para que os magistrados europeus tenham mais tempo para apreciar o caso, noticiam os jornais britânicos.

Este prolongamento do prazo acontece depois de a mãe do bebé ter partilhado no Facebook uma foto do filho com os olhos abertos, depois de ter sido dito nos tribunais ingleses que a criança não era capaz de o fazer.

“Uma imagem diz mais do que mil palavras!!

Conforme citado do julgamento ... "Ele não é consistentemente capaz de abrir os olhos o suficiente para poder ver. Na verdade, isso remete para a dificuldade que o cérebro dele está a falhar em aprender a ver", escreve Connie Yates na rede social.

Os médicos do Great Ormond Street Hospital for Children, em Londres, onde Charlie tem estado internado desde outubro de 2016, já aconselharam os pais a desligarem as máquinas e a transferirem o menino para uma unidade de cuidados paliativos.

Uma especialista do hospital, em declarações ao The Guardian, afirmava já em abril que, "muito infelizmente", o tratamento experimental nos Estados Unidos da América não iria ajudar a criança que está "extremamente mal".

Os pais insistem e defendem que o filho merece um tratamento experimental, tendo até dado início a uma angariação de fundos.